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27 de mar. de 2012

Fernando Ataliba - perguntas e respostas sobre produtos orgânicos x agrotóxicos

27.Março.2012

A cada dia que passa, mais compreendo que está tudo conectado, ou melhor dizendo, estamos todos conectados. Logo, do que adianta falar sobre alimentação CRUAviva - energética, desintoxicante, suas cores, seus sabores, texturas, formas, beleza VISUAL, se não nos aprofundarmos um pouco mais na essência dessa beleza para entendermos o que realmente estamos ingerindo além de toda essa mistura viva visual.

E por isso hoje me sinto na missão de repassar o conhecimento de Fernando Ataliba - um dos entrevistados no documentário 'O veneno está a mesa', consultor e produtor orgânico, proprietário de um belo sítio que produz frutas e vegetais organicamente respeitados e equilibrados - o Sítio Catavento, que fica em Indaiatuba, SP. Tive o enorme prazer em conhecer o Fernando e sua linda família, no carnaval de 2012, durante o curso Bases 2 - bases conscientes da terapêutica natural e desintoxicação do Dr. Alberto Gonzalez, autor do livro 'Lugar de Médico é na cozinha', onde estive trabalhando / colaborando ao lado de minha amiga e super profissional Milene Mattar.

Na entrevista abaixo, Fernando responde algumas questões que todos nós precisamos saber. Leia e desfrute dessa oportunidade! Em breve estaremos postando um vídeo-entrevista com Fernando, realizado em 19 de Março de 2012.

Que nossa busca a alimentos sem venenos seja contínua - para uma vida em harmonia com nossa natureza interna e externa.

Um brinde a vida!

Ursula Jahara *|*
MisturaViva.com

Foto por Ursula Jahara - tirada em 19 Março 2012, durante entrevista para o MisturaViva.com

Fernando Ataliba
1. Por que alguns agricultores usam agrotóxicos e outros não?
É importante dizer que os agricultores que usam agrotóxicos não são vilões, não o fazem por mal, mas foram vítimas da campanha que as multinacionais, juntamente com os governos, orquestraram para criar uma dependência dos agricultores em relação à indústria. Por décadas os governos emprestavam dinheiro (com juros subsidiados) para os agricultores, desde que este dinheiro fosse gasto com agroquímicos industriais. As instituições de pesquisa, incluindo as universidades, tiveram e ainda têm suas pesquisas financiadas pela indústria química. Poucos agricultores em todo o mundo conseguiram ficar fora desta onda. Entretanto, constatou-se que esta forma de plantar provoca diversos tipos de doenças (entre as quais o câncer); contamina as águas subterrâneas, os rios e os lagos; contamina e destrói a fertilidade dos solos e provoca outros males. Foi então, que teve início a valorização daqueles que aplicam uma agricultura que respeita a natureza.


6 de mar. de 2009

Feiras e Mercados de Produtos Orgânicos

*no RIO DE JANEIRO*

Fotos das feiras e estabelecimentos que disponibilizam produtos orgânicos - perecíveis e não pereciveis - já podem ser acessadas no album de fotos do MisturaViva - clique aqui para visualizá-las.


www.flickr.com



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Clique aqui, e conheça outras feiras orgânicas no Rio de Janeiro que iniciaram em 2010.


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Feira Orgânica e Cultural da Glória

Legumes, verduras, frutas, cereais, pães integrais, suco da Luz do Sol, CDs e Livros, etc.

Todos os Sábados das 7 às 14hs.
Praça da Rua do Russel
Glória - Rio de Janeiro
(em frente ao No.300)


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Feira Orgânica de Ipanema

Frutas, verduras, legumes, queijos, paes, bolos e geleias produzidos pelos associados da ABIO (Agricultores Biológicos do Estado do Rio de Janeiro)

Todas as 3as feiras das 9 as 14h
Praca Nossa Senhora da Paz
Ipanema - Rio de Janeiro







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Rede Ecológica

Uma das principais atividades da Rede Ecológica são as compras coletivas, através das quais, consumidores organizados em núcleos praticam o consumo ético, ecológico e solidário, viabilizando o abastecimento de produtos orgânicos preços acessíveis e apoiando iniciativas ecológicas e solidárias de produtores.

Ao acessar o site da Rede Ecológica

- http://www.redeecologicario.org/
Clique em 'Compras Coletivas' para visualizar os locais e horários de entrega dos produtos orgânicos.


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Feira da Cobal do Humaitá


Verduras, legumes, frutas.
Produtos Processados: arroz integral, aveia em flocos, farinha de trigo integral, gérmem de trigo, macarrões com trigo integral, sal marinho, sal com ervas, azeite e vinagre com ervas, granolas, açúcar mascavo, molho e massa de tomate, chás diversos, geléias, suco de uva, café, Herbes de Provence.

Diariamente
Box da ABIO – N. 81 e 82R.
Voluntários da Pátria, 448
Humaitá - Rio de janeiro
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Feira da Coonatura


hortaliças, frutas e verduras

PUC-Rio, 5as. feiras
Rua Marques de São Vicente, 225
Gávea - Rio de Janeiro

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Feira da Agrinatura

Verduras e legumes. Abóbora, aborbrinha, couve shines, agrião, batata, espinafre, inhame, cenoura, salsa, mangericão, cheiro verde, entre outros.

Mundo Verde
2as. feiras e sábados - Leblon
5as. feiras - Ipanema
7:30 - 13:30

Avenida Ataulfo de Paiva, 375, Lojas A, B e C
Leblon - Rio de Janeiro
Rua Visconde de Pirajá, 443, Loja C
Ipanema - Rio de Janeiro


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Universo Organico

Produtos Orgânicos e Alimentação Com Vida
As prateleiras verdes do Universo Organico reúnem cerca de 1.800 itens para que o seu dia a dia seja livre de agrotóxicos, já que os produtos orgânicos estão conectados com toda a cadeia produtiva da terra ao lar.

Rua Conde de Bernadote nº 26 / Lojas 105 e 106
Leblon - Rio de Janeiro - RJ
Tels: 3874-0186/2274-8983

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25 de mar. de 2011

No Globo Repórter: Alimentos livres de contaminação são mais saudáveis



Nesta sexta-feira (25.Março), o Globo Repórter mostra o poder dos alimentos orgânicos, alimentos livres de contaminação, e alerta sobre o perigo dos agrotóxicos. (clique aqui e saiba mais sobre os alimentos orgânicos)

Tópicos:

.Uma universidade brasileira comprova em testes de laboratório que os alimentos orgânicos têm mais vitaminas e aumentam a nossa imunidade

.Conheça o perigo dos agrotóxicos e veja o caso do rapaz intoxicado pelos pesticidas que seus pais usavam na roça

.Descubra como a experiência com a merenda escolar orgânica melhorou a saúde e mudou o paladar de milhares de crianças.

.As hortas caseiras são um caminho para quem quer comer orgânicos sem gastar um tostão.

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28 de mar. de 2011

Alimentos orgânicos

Nessa útlima 6a feira, 25/03/2011, o Globo Repórter falou, novamente, da importância de uma alimentação saudável. Dessa vez a reportagem foi sobre os benefícios de uma alimentação que inclui alimentos orgânicos = isenta de agrotóxicos (químicas prejudiciais a saúde), e como e onde as pessoas vem buscando cada vez mais esses produtos.

No Rio de Janeiro, temos diversas feiras organicas já acontecendo na zona sul da cidade - quem souber de outras e quiser compartilhar, envie um email para contato@misturaviva.com para que possamos adicionar em nossa lista).

Sempre que puder, dê prioridade aos pequenos agricultores que se preocupam com o bem estar de todos e da terra.

Um brinde a vida!

Ursula Jahara**


Consumidores encontram alimentos orgânicos mais baratos em feiras





Orgânicos possuem mais nutrientes do que alimentos convencionais





Engenheiro agrônomo ensina como preparar horta em casa


29 de abr. de 2007

Orgânicos X Transgênicos

A gente não quer só comida
*José Augusto Pádua*, Especial Para a Folha

A ciência descobre, a tecnologia executa, o homem obedece." As palavras escritas no portal da Feira Mundial de Chicago, em 1933, sintetizam a postura submissa que ainda caracteriza a relação de importantes setores da opinião pública contemporânea com as inovações tecnológicas.

No vazio das antigas certezas religiosas, a ciência tornou-se para muitos a única fonte confiável de verdade. É irônico observar, porém, que o próprio movimento da modernidade global age no sentido de dissolver a aura de devoção construída em torno do complexo ciência & tecnologia.

O número cada vez maior de pessoas escolarizadas, a velocidade e a intensidade dos meios de comunicação, o estabelecimento de múltiplos espaços para o confronto de opiniões vêm contribuindo para gerar sociedades que discutem cada vez mais seu presente e futuro.

O que está sendo discutido, na verdade, não são os limites da ciência, mas sim o alcance da democracia na alta modernidade. Nesse sentido, a surpreendentemente forte reação de diversos atores sociais aos alimentos transgênicos, especialmente dos consumidores europeus, representa um caso paradigmático.

A pressão democrática para que a produção de organismos geneticamente modificados seja debatida de forma intensa e transparente, com uma moratória no seu uso, contribui para dar visibilidade aos condicionantes econômicos que controlam grande parte da atual pesquisa técnico-científica.

E serve também para expor o uso da ideologia da pureza do progresso científico como instrumento para justificar decisões empresariais fundadas em objetivos bem menos etéreos, tais como o aumento dos lucros e o controle dos mercados.

*Princípio de precaução

*Não se trata de coibir a pesquisa acadêmica. O esforço de politização das novas tecnologias, com exceção de algumas poucas vozes especialmente radicais, não passa pela defesa de uma censura da investigação teórica ou experimental.

O problema está na difusão social precoce, por motivos calcados essencialmente na busca por poder econômico, de técnicas perigosas que ainda estão sob intenso debate científico. Ou seja, uma clara violação empresarial do chamado "princípio da precaução", que estabelece, diante da incerteza, que não se devem adotar atividades ou técnicas cujas conseqüências, se negativas, podem ser irreversíveis ou além da nossa capacidade de controle.

Os organismos geneticamente modificados, na medida em que são seres vivos, podem mesclar-se com outros organismos e penetrar nas cadeias ecológicas planetárias, reproduzindo-se de forma descontrolada. É tolice, pois, associar os transgênicos à modernidade e os orgânicos ao arcaísmo.

No setor da produção orgânica, por exemplo, que está crescendo como uma alternativa ao modelo transgênico, existe hoje um grande investimento científico. Não se trata de aceitar passivamente os movimentos da natureza, mas sim de buscar ativamente, por meio de um conhecimento ecológico fino e sofisticado, formas de potencializar a produtividade e a capacidade de sustentação das lavouras.

Mas seria ingênuo supor que a polarização entre transgênicos e orgânicos esteja fundada em uma disputa apenas técnico-científica. Trata-se, mais do que tudo, de uma questão de poder. A agroecologia, por suas características concretas, não facilita a concentração de poder assim como não favorece o estabelecimento de monopólios, atentes e pacotes tecnológicos.

A gestão ecológica da agricultura requer desenhos locais, que dialoguem com as condições específicas de cada domínio do território. Seus insumos, além disso, são renováveis e recicláveis.

No núcleo da pressão pelos transgênicos se encontra a fome de poder de um número restrito de enormes conglomerados empresariais, que, no limite, buscam usar as novas tecnologias para dominar a oferta de sementes e reduzir a autonomia dos agricultores e, por extensão, das sociedades.

É assustador imaginar um futuro em que algo tão vital como as sementes -assim como as fontes da alimentação em geral- estejam nas mãos de pouquíssimas corporações. O consumidor, ao optar pelo que comer e por qual modelo favorecer, pode estar fazendo política no mais alto grau.

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*JOSÉ AUGUSTO PÁDUA é professor do departamento de história da Universidade Federal do RJ e autor de "Um Sopro de Destruição".

9 de jan. de 2009

A importância de um enfoque holístico na produção de alimentos mais saudáveis.

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A visão holística, um dos princípios da Agroecologia, considera a produção agrícola como uma totalidade maior e mais complexa do que a simples soma das partes (adubação, controle de pragas e doenças, gestão dos resíduos, entre outros. Fazendo um paralelo com o corpo humano, assim como um médico ao examinar um paciente não deveria enxergar apenas um estômago ou um coração, mas considerar a interação desses órgãos com todo o organismo e o aspecto emocional do paciente, o mesmo deveria ocorrer na produção agrícola. Isto significa planejar a produção de forma integrada, considerando a propriedade como um "organismo vivo", dinâmico e repleto de interações entre cada parte que não pode ser descolada do todo. Ao invés de olhar peça a peça do grande "quebra-cabeça" de se produzir alimentos mais saudáveis, o enfoque holístico monta e busca lidar com todo o conjunto de fatores (ecológicos, culturais, econômicos, políticos, sociais) que compõem o sistema de produção agroecológico.

De que forma isso é possível? Respeitando os ritmos vitais dos organismos vivos da propriedade: microorganismos do solo, plantas cultivadas e nativas, animais e seres humanos, o enfoque holístico considera a interdependência de todos esses elementos, buscando descobrir e tratar as causas de todos os fenômenos (ocorrência de pragas e doenças, competição com ervas nativas entre outros), que se manifestam durante a produção de alimentos e procurando manejá-los de forma conjunta.

No que diz respeito à nutrição, adotar um enfoque holístico (global, abrangente) implica em medir a influência do alimento sobre o próprio organismo que o consome, estudando os efeitos produzidos sobre a sua saúde, longevidade, fecundidade e resistência, entre outros fatores, sendo o melhor critério conhecido para avaliar a qualidade biológica dos nutrientes ingeridos.

Uma alimentação saudável, portanto, não se limita a "encher" o estômago humano. Além de responder às suas necessidades nutricionais, deve potencializar todas as suas funções biológicas vitais, auxiliando na renovação celular e demais processos metabólicos, promovendo um bem-estar nos planos físico, mental e até espiritual. Afinal, quem pode se dar ao luxo de elevar o espírito se estiver repleto de gastrites, prisão de ventre, hipertensão, diabetes e tantos outros males "terrenos" originados em maus hábitos alimentares? Ou seja, não basta apenas cultivarmos o propósito de "não morrermos pela boca", podemos também obter qualidade de vida através do que ingerimos nas refeições e lanches.

Para tanto, é necessário pensar um alimento qualquer (frutos, folhas, grãos, tubérculos, raízes) a partir da planta que o origina. O raciocínio é simples (e até óbvio): uma planta sadia e nutrida de forma equilibrada originará um alimento também sadio e equilibrado. Mas, o que é exatamente uma planta sadia? As correntes da Agroecologia consideram como tal uma planta que possua os elementos nutritivos necessários para formar uma quantidade máxima de substâncias que a caracterizam, de forma equilibrada. Isso significa, que a planta absorve os nutrientes presentes no solo de forma gradual e de acordo com suas necessidades: nem mais nem menos.

Na agricultura convencional, com a aplicação de adubos altamente solúveis, as plantas recebem altas doses de nitrogênio, fósforo e potássio que se acumulam na seiva promovendo um desequilíbrio entre as concentrações desses e de outros elementos (como o magnésio, o molibidênio, o cobre e outros microelementos). Neste contexto, as plantas crescem, ou melhor, "incham" defeituosamente porque existe um desequilíbrio entre os componentes celulares. Assim, os tecidos se desenvolvem fracos, aquosos e suscetíveis a todo tipo de doença. E plantas que se desenvolveram com uma relação entre os elementos químicos fortemente alterada, naturalmente, transmitirão aos seres humanos (direta ou indiretamente através de alimentos de origem animal) sua falta de vitalidade, sua suscetibilidade e seu desequilíbrio metabólico. Ou seja, pouco contribuem para que a população desenvolva seus potenciais físico e mental em plenitude.

Em contrapartida, o trabalho da agricultura agroecológica atua no sentido de alcançar uma otimização da produção agrícola. Isto significa realizar um casamento entre a necessidade de se obter um certo volume físico de alimentos num longo prazo e a manutenção de padrões de qualidade nos alimentos. Tais padrões, obtidos através de diversas práticas de manejo dos insumos, assim como de pragas e doenças se manifestam em produtos agrícolas isentos de qualquer contaminação química ou biológica e com propriedades organolépticas (sabor, textura, aroma) capazes de conferir vitalidade aos alimentos consumidos.

Por essas razões, fica claro que os procedimentos adotados pelas correntes agroecológicas fazem parte de uma visão global (ou holística) da vida, da natureza e do ser humano. Os sistemas alimentares, com os quais as correntes agroecológicas se preocupam vão muito além da atividade agropecuária em si. Abrangem interações entre as dimensões ecológica, técnica social e econômica que permeiam todo o sistema de produção e venda e consumo de alimentos.

Sabendo da influência dos sistemas de produção convencional e agroecológico sobre a qualidade do alimento, o consumidor que optar por alimentos orgânicos ainda precisará se certificar da autenticidade de tais produtos, o que é possível através da compra de alimentos com o selo de uma entidade certificadora local ou nacional.

Uma dica prática é o consumidor explorar a região onde mora, buscando produtores ou associações de produtores agroecológicos como uma forma de privilegiar os circuitos locais de abastecimento. Desta forma, o consumo de uma dieta equilibrada com produtos orgânicos na esfera regional contribui para combater a homogeneização da alimentação, para estimular a manutenção de pessoas no meio rural e para fomentar a economia das pequenas e médias cidades. Em outras palavras: alimentar-se corretamente e com produtos orgânicos além de vitalizar o corpo, revitaliza também a prática da cidadania da qual estamos tão famintos.

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Fonte: PlanetaOrgânico
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21 de fev. de 2009

Confissões de uma 'ex' 90-100% crudívora

Por Ursula Jahara - 20 de Fevereiro de 2009.

Minha jornada dentro da alimentação viva foi postada anteriormente, e esse espaço, aqui, está sendo voltado apenas para minha confissão - minhas observações (não conclusões).

Através do Mistura Viva, minha intenção foi sempre de compartilhar artigos que nos cutuquem de alguma forma. Artigos que nos fazem questionar o que vem acontecendo ao nosso redor (nosse meio ambiente) e nosso ambiente interno (nosso corpo). Porém hoje, eu decidi compartilhar com vocês, não artigo de terceiros, mas um pouco da minha própria caminhada dentro da alimentação viva, e espero que sirva como um clique para muita gente.

Há alguns dias resolvi escrever um email para alguns amigos compartilhando um pouco -muito pouco mesmo - da minha jornada dentro da alimentação viva, durante o período que me mudei para a Califórnia - terra santa para qualquer um que queira iniciar essa jornada, afinal grandes 'gurus', restaurantes, alimentos orgânicos, produtos 'raw' (crus) já nas prateleiras dos diversos mercados voltados para a conscientização ambiental (interno/externo) e na internet, eventos, potlucks (reuniões/jantares), livros saindo pela culatra e muito mais, estão lá. A onda é...se tornar um 'raw foodist' (crudívoro). Muitos benefícios sem sombra de dúvida, mas como eu gosto de observar, cheguei a 'conclusão' de que, pelo menos nos Estados Unidos, os diversos 'gurus' dentro da alimentação viva, entraram numa 'gerra de egos'. Deixa eu ser um pouco mais clara. 'Cada' um deles chegou a mesma conclusão -alimentos crus-vivos apenas, porém cada um sugere (ou não) alimentos diferentes em seus mais diversos livros. Peraí, serei ainda mais clara.

Como os Estados Unidos é o país da 'abundância' e da competição, é possível conseguir alguns produtos - crus, como amendoas, nozes, castanha do Pará (Brazil nut) - mais barato lá do que em nosso próprio país, sementes de girassol (pronto para o consumo), sementes de linhaça dourada, sementes de gergilim, e etc, tudo em 'abundância' e com preços incompatíveis. Será que eu mencionei que todos esses, ou quase, produtos que comprava são orgânicos? Pois bem, alguns desses 'gurus' utilizam uma grande quantidade desses produtos acima mencionados em suas receitas super elaboradas, de dar inveja a qualquer 'chef' Francês. Aí entra toda a minha questão.

Em 2007, a partir de Março mais ou menos, foi o período em que me alimentei, juntamente ao meu marido (ex), basicamente (95%) de alimentos crus/vivos. Abusamos de verduras, vegetais, frutas, coco verde (importado da Tailândia - só rindo mesmo), sementes de sarraceno germinada e depois desidratada (nossa granola de 'todo' dia), e muitas sementes, amendoas, castanhas (em pastas, leites, sobremesas, x, y e z), e a maioria era orgânico - quanto mais orgânico melhor (realmente essa é minha filosofia, afinal pelo menos o terreno de nosso planeta deve ser respeitado). Oba, uma alimentação variada, com sucos centrifugados - de vegetais, enriquecida com proteínas vegetais, gorduras de excelente qualidade, cores (muitas cores), verdes (de tonalidades diversas), sabores irresistíveis, mas....nada disso foi o suficiente para manter o nosso peso. Passamos por um período um tanto complicado, e estressante, e parecia que mesmo comendo bem, algo estava errado - meu peso despencou. Muitos de vocês devem estar com um sorriso enorme no rosto, e batendo palmas e se preparando para sua mais nova 'dieta' - e uns quilinhos a menos, só que em nosso caso, não foi bem assim, afinal já eramos magros. Por que estavamos perdendo tanto peso (para mim 5kg já é uma perda de peso considerável), por que mesmo com uma alimentação - que muitos 'gurus' dizem que energiza, a mente fica mais clara, as dores desaparecem, cheios de promessa...nosso nível de estresse estava alto, e nosso peso despencando? Ficou tudo muito confuso, mas jamais pensamos em desistir. Compramos um livro, dois livros, três...dez. Como mencionei anteriormente, uns utilizavam grande quantidade de sementes, castanhas, amendoas; outros não utilizavam cereias germinados; enquanto outros utilizam pouca quantidade de frutas - principalmente as doces - pois grande quantidade de açúcar, mesmo que proveniente de frutas gera um ambiente proprício a bactérias indesejáveis, mofo interno, fungos, e etc. Se fossemos tirar o que cada um deles é 'contra', provavelmente estariamos nos alimentando apenas de - água. Enfim, uma batalha de informações que faz com que nós, leigos, entremos em parafuso.

Sim, 2007 e 2008 foi um momento de muita mudança para mim - falecimento de minha mãe no final de 2006, aguardando minha residência nos Estados Unidos, e alguns outros pontos, mesclados com muitos momentos de prazer também, afinal moramos a 10 min da praia de Carlsbad - sugestão para quem quer visitar a costa Californiana! -, abençoadas práticas de Yoga, rodando restaurantes com alimentação viva, trabalhamos no Raw Spirit Festival no Sedona, Arizona,

Enfim, toda essa introdução para chegar a um único ponto, o email que enviei a alguns amigos, foi o seguinte:

Companheiros de jornada,

vou compartilhar algo com vocês, ok.

hoje eu estava em Ipanema e vi a Gabriela Alves - exatamente - filha da Tânia Alves, num restaurante natural. Quando ela saiu - me assustei, pois eu sei q ela vem coordenando cursos de alimentacao viva, e a cozinha do Spa Maria Bonita que é dela e da mãe. E aí entra a minha pergunta que NÃO quer calar!!!
O que acontece com tanta perda de peso?? Abaixo um artigo postado no Portal Caras - nao, eu não leio Caras, mas fui buscar algo no Google sobre a Gabriela, exatamente por ter me assustado com o que vi hoje.

Parte da entrevista: "... Hoje, estou mais magra do que devia, por conta de uma temporada de cinco anos em São Paulo, de muita correria no trabalho e pouca qualidade de vida. Mas não estou anoréxica! Como bem e minha saúde está ok, com todos exames em dia", ressalta Gabriela, atualmente com 45 quilos em 1m64."

O que exatamete acontece com nossos corpos?? Se nos nutrimos de tanta saúde vinda dos alimentos orgânicos, crus, com tanta vitalidade e etc... pq ficamos, de certa forma, 'enfraquecidos'?? Estou generalizando, mas é para mostrar que isso não apenas acontece com a Gabriela. Quando eu trabalhei no Raw Spirit Festival (evento de alimentação viva - respeito ao Planeta e nosso corpo) - em Sedona, Arizona - fiquei um tanto assutada com algumas pessoas que são tidas como 'gurus' nesse 'ramo'. Assim como outras, como a Victoria Bontenko (que é o oposto da magreza), que me passa FALTA de saúde. Não julgo ninguém - outros ou eu mesma -, mas SIM, eu OBSERVO!

Essa semana, resolvi frequentar o Nirvana - um Yoga Studio (amo muito tudo isso) - aqui na Gavea, no Rio, e no cardápio do restaurante - orgânico - deles vinha dizendo: Dizem que você é aquilo que come. Mas, na verdade, voce é muito mais: é o que lê, pensa, faz e cada decisão que toma.

E realmente - isso tudo forma o nosso corpo - isso tudo é o nosso alimento. Mais do que nunca - olhando pra mim mesma - vejo que a alimentação (ingerida) não é a única vilã ou amiga. Acredito piamente que o emocional e o movimento corporal interferem muito mais do que o alimento ingerido (falo de alimento, e não de produtos industrializados = junk food). Sinto na minha pele e osso, que mesmo permanecendo no cru por um bom tempo, e há alguns meses que não estou mais 100%, meu corpo simplesmente secou - dos 55kg, bem destribuidos, para os 50kg que hoje peso (altura 1,67). Se eu gosto?? Não, eu não gosto! Não
gosto de me olhar no espelho e ver que ali está faltando - força e vitalidade. Não gosto de ver o rosto chupado, as pernas magras, e etc. Na busca de uma alimentação 'perfeita', eu me tornei - "imperfeita".

E aqui digo: o emocional e o sedentarismo (falta de estimulo muscular), eles mesmos - os grandes vilões.

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Quero deixar bem claro que esse meu email NÃO SIGNIFICA que eu não acredite na alimentação crua-viva, pelo contrário, acredito (e amo) muito. Mas o foco aqui foi mostrar que SOZINHA ela não faz milagres. E que por mais que seja 'crua-viva', é importante que saibamos identificar quando o corpo está bem, ou não - no meu caso a perda de peso foi um sinal não agradável. Bater numa única tecla, mesmo enxergando que algo está deficiente no corpo (físico, mental e espiritual), não é realmente enxergar.

Discernimento acima de tudo. Afinal, estamos todos de passagem nesse planeta; somos todos aprendizes.

Estarei postando em breve um artigo (discutido) por Frederic Patenaude - crudivoro, Canadense, autor do livro 'The Raw Secrets', entre outros - postado por ele em 16/02/2009.

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Leia meu novo depoimento postado em 10/Ago/09:
'RE-Conectando com a Alimentação Viva'

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29 de abr. de 2007

Alimentos 'Vivos'

Técnica culinária usa produtos crus, orgânicos e funcionais, deixando de lado processos de industrialização e de cozimento, para a prevenção de doenças e preservação da saúde


Você já experimentou leite da terra, suco do Sol, pão dos essênios e musse de rosas? Não? Então, venha e esqueça o árido estilo da alimentação contemporânea. Nada de fast food, delivery, microondas e freezer, pesticidas ou aditivos químicos, pois um novo conceito de alimentação está ganhando adeptos em todo o mundo: a culinária viva, vega ou crudivorista, uma dieta à base de alimentos vegetais in natura, que não passam pelo processo de industrialização ou de cozimento. É o que mostra o médico gastroenterologista carioca, Alberto Peribanez Gonzalez, de 45 anos, formado em medicina pela Universidade de Brasília (UnB), mestre e doutor pelo Instituto de Pesquisa Científica de Munique, na Alemanha, e autor do livro Lugar de médico é na cozinha, lançado pela editora Universidade Estácio de Sá, onde ele é professor de fisiologia cardiovascular.

Para conhecer as idéias do médico, é preciso visitar um casarão histórico de três andares, na Lapa, na zona boêmia do Rio de Janeiro. Num dia de chuva fina, sob os arcos da Lapa, a equipe do caderno Bem Viver chegou à Oficina da Semente, com pequeno restaurante logo na entrada e uma cozinha, que é espécie de laboratório vivo, onde ele desenvolve técnicas culinárias para que os alimentos funcionais, orgânicos, germinados e crus possam ser assimilados por famílias de todas as classes sociais, na prevenção de doenças e preservação da saúde.

Na mesa posta do bistrô, o almoço começa a ser servido: salada verde, com chicória, alface, abacate, tomate e uva passa. Em seguida, vem a cevadinha, sopa, verduras amornadas e uma sobremesa que não leva açúcar, mas encanta o paladar. O leite da terra, com água de coco e castanhas é um néctar dos deuses.

Ao fundo, os cozinheiros Arzhel Racine, um francês de 24 anos; Ana Luiza da Silva, de 35, de Maceió; e outros alunos que são considerados pelo médico como agentes de saúde, pois estão ajudando a divulgar a alimentação viva. Na bancada da cozinha, germinam brotos de girassol e de trigo. Uma velha geladeira, que funciona no frio mínimo, guarda legumes, hortaliças, ervas frescas e frutas de todas as cores e sabores. O azeite extravirgem é o único usado no preparo dos alimentos. Assim, nenhuma gordura saturada vai ficar colada nas paredes da cozinha ou das artérias do coração. E, como não há cozimento, os nutrientes são inteiramente preservados.

Por instantes, Alberto sobe as escadas até a laje da casa, onde está preparando o pão dos essênios, cuja receita foi ensinada por Jesus Cristo e retirada dos manuscritos do Mar Morto. Como Hipócrates, o pai da medicina, Alberto Gonzalez, acha que o alimento é um dos caminhos da cura, o melhor remédio. E veste o avental para ensinar 88 receitas de alimentos crus e fáceis de preparar. Mas vai logo avisando: “Sou um médico normal. Em minhas consultas, o que muda é a prescrição”.



Déa Januzzi
Do Rio de Janeiro

14 de dez. de 2008

Livro: O Poder de cura do limão

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Autora: Conceição Trucom
Páginas: 200


O limão é uma fruta cítrica porque contém cerca de 6% de ácido cítrico em seu suco. Ou seja, cada 100 gramas de suco fresco e puro de limão contém cerca de 6 gramas de ácido cítrico e citratos, que são os sais do ácido cítrico.

Tal concentração de ácido cítrico ocorre em qualquer uma das suas variedades, no limão original que é o Siciliano, no limão Galego, nos tipos rústicos como é o caso dos limões Cravo, Rosa, Capeta ou Vinagre, ou mesmo no limão enxertado como é o caso do Tahiti.

Este teor de 6%, considerado o mais elevado de todas as frutas, diferencia o limão das demais frutas cítricas, já que as laranjas, tangerinas e pomelos, apesar de serem frutas da mesma classificação, apresentam na composição de seus sucos (fresco e puro) a concentração média de 0,6 a 1,0% de ácido cítrico e citratos. Ou seja, o limão chega a conter até 10 vezes mais ácido cítrico que seus parentes de classe.

No aspecto terapêutico, o ácido cítrico é um ácido orgânico e tricarboxílico que, dentro da química e do organismo humano, tem ação tamponante e alcalinizante, ou seja, possui o poder de estabilizar uma condição levemente alcalina em todos os líquidos corporais, no sangue, na linfa, no líquido crânio-sacral ou nos líquidos intra e extracelulares.

Do ponto de vista metabólico, essa estabilização levemente alcalina dos líquidos corporais, que tem um pH entre 7,36 a 7,42, é a condição ideal para todos os processos orgânicos acontecerem da forma mais equilibrada e harmônica. Ou seja, favorece a saúde, sua preservação e prevenção de doenças.

Em síntese, o limão tem o poder de realizar uma reengenharia da qualidade hídrica de todo o organismo, beneficiando o cérebro, pulmões, rins, sistema linfático, imunológico, sistema nervoso, intestinos, fígado, enfim todos os sistemas e órgãos vitais.

Assim, a partir do momento em que se ingere o suco do limão, puro ou com outros alimentos especiais e indicados, inicia-se um processo de facilitação de alcalinização de todos os processos metabólicos.

Ao contrário dos conceitos arraigados na sociedade, inclusive entre médicos e nutricionistas, o limão só pode ser reconhecido como um alimento ácido até o momento de ser ingerido, pois após sua ingestão, puro ou idealmente composto com outros alimentos, funcionará como um agente alcalinizante, condição esta que será tão mais constante, quanto mais diário e metódico for o consumo do limão.

O ácido cítrico do limão, quando ingerido, irá se combinar com sais minerais livres (biodisponíveis) a base de cálcio, magnésio e ferro, formando os respectivos citratos salinos, que conferirão o desejado pH ideal que é levemente alcalino.

Tal fenômeno explica outra importante propriedade terapêutica do limão, que é a de ser um agente de fixação de sais minerais.

Quando se deseja melhorar aspectos da saúde como anemia, osteoposose e vitalidade, portanto aumentar a presença de ferro, cálcio e magnésio em nosso organismo, nada como fazer uso de alimentos ricos nesses elementos e associar o limão a eles.

Por essa mesma razão indica-se o preparo dos sucos desintoxicantes sempre com o uso do limão adicionado a estes ingredientes especiais que são as frutas, raízes, folhas e sementes, sempre crus, frescos e idealmente orgânicos.

Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida.

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23 de set. de 2008

SucoTerapia

por Denise Scótolo

“Faz do teu alimento, o teu medicamento.”
Hipócrates

Com o corre-corre da vida moderna, algumas pessoas têm dificuldade de seguir uma dieta balanceada, alimentando-se principalmente de proteínas animais, produtos industrializados, doces e gorduras. Cheeseburgers, batatas fritas, bolachas, pizzas, maionese, sorvetes e refrigerantes são comuns no cardápio dos que têm uma vida atribulada e repleta de compromissos. O café da manhã apressado, composto por pão francês com margarina e café com leite, tenta ser compensado com algo “saudável”, como um frango grelhado (repleto de hormônios) e uma saladinha (temperada com molhos ricos em gorduras ou conservantes).

Para que o organismo consiga digerir o que normalmente é ingerido, o corpo precisa de uma dose extra de vitaminas e sais minerais. O problema é que esses nutrientes não costumam ser encontrados em quantidades suficientes em alimentos como os apresentados acima. Para termos uma vida mais saudável, com mais energia e disposição, precisamos ingerir alimentos que contenham os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo, como os sais minerais, vitaminas e enzimas, que são facilmente encontrados em vegetais crus e frescos.

Dentre muitos dos nutrientes encontrados nos vegetais, podemos destacar o caroteno (substância anti-cancerígena encontrada em vegetais vermelhos e alaranjados), a vitamina C e os bioflavonóides (que reforçam o sistema imunológico e são encontrados em frutas cítricas) e o ácido fólico (necessário para a manutenção dos glóbulos vermelhos do sangue e do sistema nervoso e é encontrado em hortaliças com folhas verde-escuro).

Muitos dos profissionais de saúde e nutrição, assim como os órgãos públicos de saúde, recomendam a ingestão de 4 a 7 porções diárias de vegetais. Outros especialistas afirmam que a dieta diária deveria ser composta por 50 a 75% de vegetais crus. Mas quase ninguém consegue ingerir essa quantidade de frutas e hortaliças cruas diariamente. Imagine-se comendo 5 cenouras, 3 maçãs, 4 talos de aipo, ¼ de brócolis, 2 laranjas, 3 folhas de couve e ½ melão (e tudo cru). Muitas pessoas provavelmente desistiriam na segunda cenoura. A solução para a ingestão dos nutrientes necessários para o nosso metabolismo pode ser encontrada nos sucos. Toda essa quantidade de alimentos propostos poderia ser ingerida em 2 copos de suco!

Na sucoterapia, as fibras dos vegetais crus são separadas de seu sumo. Esse processo aumenta a nossa capacidade de ingestão do suco, além de facilitar e acelerar a absorção dos demais nutrientes pelo organismo e promover rapidamente a assimilação das vitaminas, enzimas e sais minerais.

A sucoterapia combina alimentos que possuem os nutrientes necessários para a prevenção e o reestabelecimento da saúde, da energia e da vitalidade. Cada suco possui características adequadas para cada caso e sua utilização traz benefícios a curto, médio e longo prazos.

O suco é uma maneira fácil, rápida, conveniente e deliciosa (sim, as combinações são deliciosas, até para os que torcem o nariz para os vegetais) de introduzir alimentos nutritivos no dia-a-dia de todas as pessoas.

“A sua condição física de amanhã, depende do que você faz com o seu corpo hoje.”
C. Calbon

Dicas

• Procure utilizar uma centrífuga para fazer seus sucos. Se não tiver uma, faça-os no liquidificador, coando o suco para separá-lo das fibras. Apesar de extremamente importantes para a alimentação e nutrição do corpo, as fibras tornam mais lenta a absorção dos demais nutrientes e aumentam a sensação de saciedade, podendo diminuir a quantidade de ingestão de sucos.
• As enzimas, encontradas apenas em vegetais crus são necessárias para a melhor assimilação dos demais nutrientes, mas são destruídas ao serem cozidas ou fervidas, portanto utilize apenas alimentos crus para preparar os seus sucos.
• Utilize vegetais frescos e em bom estado. Dê preferência aos alimentos orgânicos, pois não contêm agrotóxicos. Se não for possível utilizar vegetais orgânicos, você deve descascá-los, mas lembre-se de que perderá importantes nutrientes encontrados nas cascas de diversos alimentos. Antes do preparo, lave bem os produtos e retire as partes danificadas.
• Antes de preparar os sucos, remova os caroços das frutas, como os do pêssego, ameixa, abacate etc. Com exceção da maçã, você pode utilizar as sementes das frutas para o preparo dos sucos.
• Algumas partes das frutas e das hortaliças possuem substâncias tóxicas se ingeridas em grandes quantidades, como a casca da laranja, as sementes das maçãs, as folhas das cenouras etc. Portanto, remova-as antes de preparar seus sucos.
• Não utilize açúcares, adoçantes, sal, temperos ou qualquer outra substância que não vegetais frescos e crus para o preparo de seus sucos.
• Beba sucos de hortaliças em uma quantidade igual ou maior à de sucos de frutas, evitando o alto consumo dos açúcares presentes nas frutas.
• Caso ache necessário, dilua os sucos em água, nunca em outros líquidos. Os sucos compostos por grandes quantidades de clorofila (folhas verdes) costumam ser ácidos, sendo recomendada a diluição em água, a fim de evitar uma possível irritação na garganta.
• Beba o suco imediatamente após o seu preparo. Após alguns minutos do preparo, o suco vai perdendo o seu valor nutricional.
• Procure sempre um terapeuta, médico ou nutricionista para lhe orientar.

Sugestões de sucos

Contra indigestão:
Sugestão 1: 1 mamão duro e sem casca + 1 fatia fina de raiz de gengibre + 1 pêra
Sugestão 2: 1 kiwi firme e sem casca + 1 maçã verde e sem sementes + 1 cacho pequeno de uvas
Sugestão 3: ¼ de repolho + 2 talos de aipo + 1 talo de brócolis

Contra constipação/prisão de ventre ;
Sugestão 1: 2 maçãs sem sementes + 1 pêra
Sugestão 2: 1 fatia fina de raiz de gengibre + 1 beterraba + ½ maçã sem sementes + 4 cenouras sem folhas
Sugestão 3: 1 punhado de salsa + 4 cenouras sem folhas + 1 dente de alho + 2 talos de aipo

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Fonte: http://somostodosum.ig.com.br


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17 de set. de 2007

Entrevista com Dr. Alberto Gonzalez

1. Quais as vantagens de se consumir se alimentar de vegetais e frutas cruas?

As sociedades médicas britânica e belga já consideram a dieta vegetariana como medicinal. E este conceito já conquista sociedades médicas de outros países.

É questão de tempo para que esta forma de alimentação seja considerada medicinal por todas as sociedades médicas do planeta, inclusive a brasileira.

A alimentação viva era preconizada por Hipócrates, o pai da medicina ocidental. Ele dizia que " a Natureza é quem cura, sendo o médico apenas um assistente da Natureza".

Se pesquisarmos artigos científicos recentes nesta área do conhecimento, veremos que a cada dia aumentam as publicações que dão suporte e segurança para a alimentação vegetariana em geral, seja na promoção de saúde, seja na terapêutica das doenças. Por ser altamente hipocalórica, enzimática e mineralizada, a dieta de vegetais vivos e orgãnicos promove uma reestruturação do epitélio digestivo e das funções pancreática e hepática, além de adequada absorção e motilidade intestinal.

A ingesta de vegetais crus dá também suporte à microbiota (flora) intestinal. Ao substituir as bactérias altamente patogênicas - estimuladas pela alimentação contemporânea - por lactobacilos e bifidobactérias, presentes em abundância na seiva de frutas e verduras orgânicas, uma verdadeira transformação toma lugar em todos os níveis do organismo.

Ocorrem efeitos flagrantes ao nível neurológico e psíquico, imunitário, inflamatório, cardiovascular, endócrino e osteo-muscular. O sangue equilibra-se, tornando-se menos viscoso e tamponando variações iônicas, de glicose e pH.

A dieta contemporânea estrutura-se sobre o trinômio açúcares-farináceos-gordura industrial, que resume-se por amidos e carne industrializada cozidos ou fritos, "empurrados" por farta quantidade de refrigerantes e doces. Esta dieta "empaca" a digestão e desequilibra o metabolismo.

O resultado é o que estamos observando: obesidade em populações de baixa renda, crianças alérgicas e diabéticas, níveis cada vez mais altos de doenças cardiovasculares e degenerativas tal como o câncer, em uma faixa etária cada vez mais jovem. Em meu consultório e também junto ao Programa de Saúde da Família, o objetivo principal é afastar a população atendida deste trinômio mórbido.

2. Carnes e peixes também devem ser comidos crus? Dizem que fãs de carpaccio, kibe cru ou sushi, correm um risco maior de contaminação por bactérias ao ingerir esses alimentos, sobretudo, quando não se conhece a procedência dos produtos. Pesquisadores da Universidade de Brasília, por exemplo, detectaram em um estudo altos níveis de coliformes fecais e chumbo em algumas amostras de sushis e sashimis em oito restaurantes de Brasília. Quais as recomendações para evitar possíveis riscos?

Alimentar-se de carne é usufruir das proteínas acumuladas pelo animal herbívoro, ave ou pescado.

Grande parte da carne comercializada é produzida artificialmente, quer dizer, dando vida artificial aos animais, que são criados em cativeiro como meros objetos produtores de proteína. Desta forma ingere-se, além da proteína acumulada, pesticidas, antibióticos, metais pesados, corticóides e diversas outras substâncias aplicadas na engorda artificial do animal, todas elas - lamentávelmente - também acumuladas.

Por outro lado, é flagrante a contaminação por microorganismos, principalmente no Brasil, onde metade dos matadouros é clandestina.

A carne mistura-se às fezes evacuadas no desespero da antecipação da morte pelo animal.

A presença de coliformes (bactérias fecais) é maciça. Se considerarmos a morte de centenas de pessoas em Seattle, EUA, após a ingesta de hambúrgueres da rede "Burger King" pela letal Escherichia Coli H527, o mal da vaca louca, a gripe aviária e centenas de tipos de contaminações seguidas de intoxicação e morte dos consumidores de carne contaminada, nos afastaremos por definitivo desta forma inapropriada de dieta.

Se ingerirmos comida morta, ela nos matará. Mas se ingerirmos alimento vivo, o mesmo nos vivificará.

As bactérias existem para degradar máteria desvitalizada, por isto prevalecem na dieta cozida. Os macrobióticos, por exemplo, nunca "requentam" um prato préviamente cozido e privilegiam alimentos orgânicos.

O alimento vegetal vivo é práticamente isento de microorganismos pela presença de agentes bacteriostáticos e antioxidativos presentes na própria estrutura da planta.

Prato vegano: 500 bactérias patogênicas X prato padrão contemporâneo 1.000.000.000 bactérias patogênicas (Fungalbionics, Constantini e cols., 1994).

Alimentar-se de "quentinhas" e "self-services" é uma espécie de roleta-russa.

A dieta contemporânea também não dá suporte ao ambiente, criando exércitos de excluídos do campo, favorecendo as monoculturas extensivas à pequena produção rural, privilegiando organismos genéticamente modificados e uso de pesticidas aos métodos orgânicos amigáveis ao solo.

A maior causa de desmatamento da Amazônia é a expansão de pastos para gado de corte ou a produção de grãos para forragem deste mesmo gado.


3. O consumo de alimentos crus seria uma forma de garantir o aproveitamento máximo dos nutrientes. Qual o máximo de aquecimento ao qual os "alimentos vivos" (crus) podem ser submetidos?

A partir de 60 graus centígrados, começam a alterar-se as estruturas moleculares. Ao elevar-se mais a temperatura, proteínas desnaturam-se, enzimas perdem a atividade, ácidos graxos poliinsaturados hidrogenam-se e fitonutrientes antioxidantes desaparecem. Todos estes nutrientes são considerados essenciais pela nutracêutica, moderno ramo da ciência.

Na alimentação hiper-aquecida, ao atingirem-se os 100 graus centígrados, 50% das proteínas desnaturam-se e valores próximos a 100% são observados para as vitaminas do complexo B. As vitaminas em geral perdem os complexos moleculares que garantem o sinergismo e máxima absorção.



4. Muitas pessoas se queixam que adotar uma alimentação mais natural tem um custo mais elevado do que a alimentação tradicional. A dieta do crudicismo é para as camadas mais favorecidas da sociedade?

Existem dietas de baixa, média e alta renda, na alimentação contemporânea. A alimentação viva não foge à regra.

No Programa de Saúde da Família, duas comunidades de caráter misto rural/urbano receberão o ensino do preparo do "suco verde" ou "leite da terra", feito com verduras orgânicas produzidas pelas próprias comunidades. Objetiva-se, através deste suplemento, melhoria da saúde, redução do uso de medicamentos e ganhos de renda, obtidos pela comercialização do excedente das hortas.

Não objetivamos um modelo paternalista e filantrópico, mas auto-sustentável, com reflexos na saúde do homem e da comunidade e no uso apropriado da terra.


5. Há situações em que o cozimento pode aumentar a absorção de nutrientes pelo organismo. É o caso de leguminosas como feijão, soja e lentilha, ricos em substâncias que atrapalham a absorção de minerais. O problema não estaria em cozinhá-lo demais? Alguns nutricionistas afirmam que o cozimento em si não destrói necessariamente os nutrientes. O calor prolongado, sim.

Sou autor de um livro denominado "Lugar de Médico é na Cozinha" e conduzo um curso de extensão universitário denominado "Bases Fisiológicas da Terapêutica Natural e Alimentação Viva". Tenho um sítio eletrônico em construção, denominado www.oficinadasemente.com.br onde poderão obter-se brevemente informações a respeito deste livro, palestras e cursos.

Em nossas oficinas culinárias, ministramos aulas de germinação de sementes, em especial leguminosas. As lentilhas, por exemplo, germinam de forma rápida e excepcional, e passam a ter o sabor de um milho verde bem fresco. São fácilmente digeríveis e absorvíveis, apresentando além do sabor mineralizado e suculento um alto teor de nutrientes, em especial ferro e proteínas.

Todos os grãos e sementes potencializam-se e tornam-se biodisponíveis com a germinação.

Grão de bico germinado é muito adocicado, devendo ser ingerido com temperos amargos, tais como hortelã ou manjericão. Soja e amendoim germinados eu recomendo com restrições, por motivos distintos, respectivamente, indigestibilidade e contaminação por fungos.

Germinamos também cereais. No trigo germinado, por exemplo, reduzem-se os níveis de glúten.


6. Para os ayurvédicos, comer está relacionado à eliminação de toxinas. Tudo o que entra deve sair do corpo para que nele não sobrem restos de comida se decompondo. Pelo fato de serem de lenta digestão, os alimentos crus não são bem-vindos. O que acha desse conceito?

Sim, eles denominam este processo de "panchakarma", ou seja "limpeza dos canais energéticos".

A dieta ayurvedica original é viva. A Medicina Ayurveda denomina os alimentos vivos de satvicos, ou seja, que promovem desintoxicação e elevação espiritual. Para o equilíbrio dos doshas, diferentes formas de constituição biológica, deve-se individualizar o padrão alimentar.

O cozimento maciço na Índia moderna é recente, e resultado de uma aculturação ocorrida nos quatro cantos do planeta. Isto ocorreu devido à hegemonia da "Teoria do germe" do Dr. Louis Pasteur, em detrimento da "Teoria do terreno biológico" proposta pelos Drs. Antoine Bèchamp e Claude Bernard, ainda no século XIX.

O hiper-aquecimento e a pasteurização tornaram-se quase que obrigatórios.

A alimentação viva é a dieta original do homem e de todos os outros seres do planeta.

No início do século XX não havia sequer treinamento médico para a reversão de infartos do miocárdio, tal a raridade destes eventos. Hoje os ataques cardíacos e outras falências cardiovasculares são os maiores responsáveis pela mortalidade e morbidade nos Estados Unidos e no Brasil.


7. Segundo alguns nutricionistas, a dieta crudicista também pode implicar em alguns problemas. As duas principais patologias que podem afetar seus seguidores é a anemia por carência de vitamina B12 (esta vitamina só existe no reino animal) e a desnutrição protéica que poderá levar a patologias como o pseudo-parkinsonismo, lesões do sistema nervoso central além de uma infinidade de doenças carenciais.

Em dez anos como cirurgião e endoscopista só vi quatro casos de anemia perniciosa, dois no Brasil e dois na Alemanha. Eram devidos à não produção de fator intrínseco pelas células principais da mucosa gástrica. A inexistência deste fator impede a absorção da vitamina B12 pelo intestino delgado.

É raríssima a apresentação de anemia perniciosa por exclusiva deficiência nutricional. Curiosamente, esta hipovitaminose é mais comum em onívoros (que comem de tudo) que nos vegetarianos.

A carne acumula a vitamina B12, obtida pacífica e pacientemente pelos herbívoros. Mas lembremos que o cozimento da carne destrói por completo esta vitamina e seus coadjuvantes, como a biotina e o ácido fólico (dados do Instituto Max-Planck de Nutrição, Alemanha).

Entre os vegetarianos, a maior causa de queda de B12 é dieta mal equilibrada, que não supra as bactérias intestinais benéficas. Às vezes prescrevo suplemento de B12 somado às medidas exclusivamente culinárias. Este é aliás o único suplemento requerido por um vegetariano.

Os maiores produtores de B12 são os organismos homeostáticos do solo, notadamente os lactobacilos presentes no intestino de animais herbívoros. Nós também podemos manter populações de bactérias produtoras de B12 em nossos intestinos.

A alimentação viva inclui os probióticos produzidos através de cereais, sementes e hortaliças fermentados. É uma nutrição bacteriana.

O vegetariano pode alimentar-se adeqüadamente de proteínas na dieta, através de frutas, cereais, raízes, leguminosas, sementes, castanhas e hortaliças.

Existem inúmeros atletas de nível olímpico que são vegetarianos.


8. Segundo os princípios da medicina chinesa, no inverno o corpo necessita de comida quente, pois a ingestão de alimentos crus resfria ainda mais o corpo. Já no verão, o corpo necessita de alimentação mais fria, então os alimentos crus seriam adequados.

O alimento que aquece a célula não necessita estar cozido na panela.

O leite de gergelim, o queijo de girassol ou o chocolate de abacate são alimentos vivos altamente calóricos, mas fornecem estas calorias através de gorduras leves e proteínas, reduzindo os açúcares e amidos e a conseqüente necessidade da produção de insulina pelo pâncreas.

No inverno tornou-se hábito comer amido e acúcar em excesso, contribuindo para a hiperinsulinemia, dislipidemia e obesidade prevalentes neste período.

Meus pacientes e aprendizes de culinária mantém-se bem aquecidos no inverno, alimentando-se de sementes oleaginosas e fazendo pratos ditos "amornados", oferecidos a uma temperatura quente, mas que não queima a língua.

No verão preparamos hortaliças através de cozimento mecânico ou fermentativo e comemos muitas frutas. É uma alimentação nutritiva e refrescante.


9. Sobre a necessidade de uma alimentação equilibrada, como pregam alguns nutricionistas, com uma proporção adequada de carboidratos (açúcares), lipídios (gorduras) e proteínas. O que o senhor tem a dizer?

A alimentação viva é mineralizada e oferece enzimas, antioxidantes e óleos essenciais. A queima apropriada de combustíveis celulares é obtida a partir de uma predominância de lipídios e proteínas saudáveis, mantendo níveis baixos de carboidratos.

A dieta hipocalórica é chave para o rejuvenescimento celular, prevenção do câncer e longevidade.


10. Há alguma pergunta ou assunto que eu não tenha abordado que o senhor queira comentar?

Ufa! Tem sim, mas acho que já ficou longo demais... deixemos para um "segundo e terceiro capítulos"

Obrigada!
Shalom... Paz seja convosco

Fonte: Jornal 'A tarde de Salvador'

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Um Congresso Mundial, uma gripe e uma confusão! - Alberto Gonzalez - Nov/2004


Foram meses de espera. Eu estava ansioso por visitar o primeiro congresso mundial de vegetarianismo a realizar-se na América Latina, e que ao mesmo tempo representava o primeiro congresso que eu, como médico, visitaria nessa "modalidade". Me chamava a atenção a diversidade de temas: sementes andinas, dieta mediterrânea, relatórios médicos de tratamentos de doenças cardiovasculares, câncer e diversas doenças com a prática do vegetarianismo, agricultura orgânica, auto-sustentabilidade, proteção animal e ambiental, fome no mundo, questões éticas como a não vacinação e religiosas.

Ocorreram eventos paralelos tais como desfile de moda sem crueldade (moda sem produtos
animais) e dezenas de oficinas culinárias. Minha palestra "A Culinária dos Alimentos Vivos e a Prática de Medicina Familiar" teve grande assistência. Teve gente ficando de fora!

Ou seja, além de estar visitando um congresso mundial, com palestrantes do mundo inteiro, percebi que estava visitando também um congresso multidisciplinar, que extrapolava tudo o que vi até hoje, em mais de 100 congressos visitados como palestrante ou assistente, dentro da escola clássica de medicina. Não consegui separar no entanto temas "médicos" de temas ambientais ou até espirituais, mesmo porque acredito que um dia estarei visitando congressos médicos que estarão abertamente abordando estes temas. Deixo aqui registrado então minha impressão sobre este evento, que ficará em minha memória e de todos aqueles que compareceram.

Até que um fato pessoal me trouxe a grande força oculta do congresso: enfraquecido pelas exaustivas horas de estrada e mudanças de temperatura entre Rio e Florianópolis em meu jipe Rural 66 carregado de utensílios de cozinha, adoeci seriamente no terceiro dia de congresso. Febre de 40 graus, prostração, dores pelo corpo. Me vi sozinho, dentro de um quarto de pousada... sozinho? Aí começaram a aparecer as pessoas, as luzes, as energias presentes. Ursula Jahara, do Rio, com pratos de frutas lavadas e cortadas, a maravilhosa enfermeira Eleonora Vacilotto, de Porto Alegre, que com seu filhinho Jean no colo, coordenou uma série de medidas (banho de imersão, shiatsu e chás). Os agora queridos amigos cariocas Michel Levy e Paula Gribel, que me receberam - Michel aplicando suas agulhas perfeitas - todos, e eu mesmo com minhas lavagens, fizeram que em um prazo de 24 horas estivesse de novo em pé (com algumas restrições).

Mas não termina por aí. Passei várias noites preparando pratos em meu "bistrô volante" conversando com jovens, entre 19 e 22 anos, de Sergipe, do Mato Grosso, de Brasília, de Belo Horizonte, de Porto Alegre e meus companheiros de viagem Michael e Rafael, que me mostraram o movimento jovem vegan mundial e toda uma consciência que vem surgindo de forma alastrante.

Estes jovens perceberam que o veganismo é muito mais que uma questão dietética. Com seus piercings, tatuagens e cabelos coloridos têm uma consciência e coerência que me causaram um agradável espanto. Não bebem nem usam drogas, mas ouvem um rock furioso.

Fechei a minha participação com a reunião sobre vacinação infantil e uma última visita ao BIOCHIP do Rio de Janeiro, instalado em um engenho velho dentro do hotel. Tomei o caminho de volta, 1240 km na minha Rural - que ganhou de presente uma super limpeza e manutenção, pelo comportamento exemplar. Fiquei grato por esta oportunidade. Grato por saber que uma rede invisível está unindo cada vez mais pessoas, na saúde e na doença. Grato por saber que não estou nem estarei sozinho. Já comecei a preparação para o próximo congresso, que será na Índia, em dois anos.

2 de jul. de 2007

Alimento é Vida

Entrevista com Nadia Cozzi
por Anna Elisa Nicolau dos Santos

"Em 1930 o filósofo religioso Meishu Sama previu os malefícios que os agrotóxicos poderiam causar à saúde dos seres vivos e do próprio planeta. Com isso desenvolveu o conceito de Agricultura Natural, a base de sua filosofia. Nadia Cozzi estuda a filosofia de Meishu Sama e desenvolve o conceito da Alimentação Consciente para que as pessoas tenham mais qualidade de vida através da alimentação. Confira alguma de suas idéias na entrevista que segue."

O filósofo religioso Mokiti Okada (1882 – 1955), conhecido também por seu nome religioso Meishu Sama, desenvolveu uma filosofia baseada no respeito aos princípios da Natureza, tomando-a como modelo e obedecendo às suas leis. Ele acreditava que a Natureza, no seu estado original, é a Verdade, e por isso deve ser respeitada. A filosofia de Meishu Sama cultiva o espiritualismo e o altruísmo, faz o homem crer no invisível e ensina que existem espírito e sentimento não só no ser humano, mas também nos animais, nos vegetais e nos demais seres. A filosofia também acredita no solo como o maior organismo vivo do planeta, exaltando o respeito que a ele se deve ter. Por esta razão a Agricultura Natural centra no solo a base de seu trabalho e é considerada o pilar sobre o qual se desenvolve o pensamento de mestre Meishu Sama. Pensamentos esses que preconizam a busca da harmonia, da saúde e da prosperidade entre os seres vivos como fruto da conservação do ambiente natural e do respeito às Leis da Natureza. A Agricultura Natural, o Johrei e a Admiração do Belo são práticas básicas da sua filosofia. O Johrei, que significa em japonês joh (purificação) e rei (espírito), foi traduzido para o português como a "luz da purificação e da cura" e é utilizado pela grande maioria dos seus seguidores. Meishu Sama também foi um grande incentivador das artes e afirmava que a consciência do Belo é o que de melhor existe para a elevação do sentimento humano.

A Agricultura Pura ou Natural surgiu quando, na década de 1930, ao analisar o método agrícola convencional, Meishu Sama manifestou uma profunda preocupação com o emprego excessivo de agroquímicos no solo, adotados como prática depois da Primeira Grande Guerra. Ele verificou que estes produtos acarretam graves conseqüências ao meio ambiente, à saúde do homem e dos demais seres vivos, e desenvolveu este método agrícola sustentável que oferece alimentos puros e saborosos. Diferente dos métodos convencional e orgânico, na Agricultura Natural não é empregado produto químico ou esterco animal. Ela utiliza compostos vegetais que conservam a pureza do solo e permitem a reciclagem dos nutrientes para o desenvolvimento sadio das plantas.

Ainda hoje há várias pesquisas nesta área. Nadia Cozzi é publicitária e pesquisadora dos conceitos de Agricultura Pura ou Natural. Coordena o Núcleo Alimentação da Organização Não-Governamental Caminho Kyusei Kannon, localizada na capital paulista. Trabalha no desenvolvimento da Alimentação Consciente pesquisando os efeitos dos agrotóxicos, transgênicos, promotores de crescimento, irradiações e aditivos alimentares na saúde do ser humano e do próprio planeta. Na entrevista que segue, Nádia Cozzi fala dos seus conhecimentos sobre a Agricultura Pura e sua aplicação na Alimentação Consciente.


O que é Alimentação Consciente?

A Alimentação Consciente faz parte dos princípios da Agricultura Pura de Meishu Sama. Busca mais que uma alimentação isenta de aditivos não naturais: controla técnicas de plantio, realça os malefícios dos agrotóxicos, transgênicos, irradiações e promotores de crescimento, ensina a ler os rótulos dos industrializados e perceber a grande quantidade de aditivos químicos ali contidos, se preocupa com as formas de conservação dos alimentos, enfatiza a importância do sentimento na hora da compra e do preparo e valoriza o cuidado e a beleza na maneira de servir. Aponta conseqüências que a desatenção na escolha dos alimentos traz para a saúde física, mental e emocional, e acima de tudo ressalta os prejuízos na capacidade perceptiva, o que influencia definitivamente a sorte e prosperidade das pessoas. A Alimentação Consciente se preocupa com o alimento desde o plantio até a maneira como ele é servido, visando acrescentar energia a cada etapa. Faz o caminho inverso da cadeia alimentar, onde um se alimenta da vida do outro. Nessa linha do crescimento de energia partimos de um solo puro, cuidado por quem tem convicção que a terra não pode ser maculada, nem com adubos químicos, nem com sementes geneticamente modificadas. Busca o consumidor consciente na hora da compra, junta-se amor e produz-se algo maior. Se quem for preparar o alimento fizer com prazer, visando levar felicidade às pessoas, fechamos o ciclo com energia total.

A Alimentação Consciente se preocupa com o alimento desde o plantio até a maneira como ele é servido, visando acrescentar energia a cada etapa.


Como a alimentação interfere na vida das pessoas?

Alimento é vida, é energia, é a força motora do nosso corpo, é fator de geração de saúde física, mental e emocional. Tudo o que ingerimos passa a fazer parte do nosso organismo, dos ossos, do sangue, dos tecidos, da essência mais sutil de nosso metabolismo bioquímico. A alimentação tem ação direta sobre o nosso humor, temperamento, impulsos e pensamentos. Determina a qualidade de nossa vida como um todo e a nossa saúde em particular. Alimentar-se é um ato de extrema importância para a manutenção da vida, no entanto, cada vez mais nos afastamos das leis naturais ingerindo alimentos recheados de agrotóxicos, promotores de crescimento, conservantes e demais aditivos antinaturais. Assim, pouco a pouco, o alimento gerador de vida, passa a ser um nefasto fator de geração de doenças.


Como os alimentos podem gerar doenças?

O corpo humano reconhece os alimentos naturais. Quando nos alimentamos o organismo absorve o que necessita e elimina o que não lhe serve. Quando ingerimos química, ele não reconhece estas substâncias e então armazena. É um processo cumulativo, todos os dias um pouquinho. Chega um determinado momento em que o armazém fica cheio e, para preservar a vida, o organismo promove um processo de limpeza. Erroneamente chamado de doença.


Por que a senhora considera a carne, tanto a vermelha quanto a branca, tão prejudicial ao organismo humano?

Não respeitamos as necessidades naturais. E assim, ingerimos muitos alimentos que fazem mal ao corpo. Entre esses alimentos a carne é um dos mais prejudiciais. Tanto faz carne vermelha como a carne branca. Segundo pesquisas publicadas no New York Times, as substâncias mais encontradas nos animais de corte são a penicilina, estreptomicina, ampicilina, tetraciclina, sulfanilamida e neomicina. O uso em excesso destas drogas cria uma geração de micróbios mais forte. Em 80% dos casos, os antibióticos são usados de forma indiscriminada pelos produtores de animais. Os comedores de carne, ovos e leite consomem esses antibióticos ao ingerirem tais alimentos. Os efeitos do consumo de carne bovina e de aves contaminadas com antibióticos aparecem em todo o organismo. Dentre os distúrbios gastrintestinais, o mais grave é a gastrite. Pessoas que se alimentam com carne também podem apresentar sintomas de alergias e diarréia, além do acumulo de uréia e o ácido úrico. Um bife, por exemplo, contém cerca de 14 gramas de ácido úrico por libra. Acontece também que, quando os animais de corte comem grama ou rações impregnadas de pesticidas, eles retêm os venenos. Quando o homem come esta carne ou seus derivados, recebe toda a concentração desses produtos que se acumularam durante toda a vida do animal. No final da cadeia de alimentos, os seres humanos tornam-se os últimos consumidores, desta forma, atuam como recipientes da mais alta concentração de pesticidas venenosos. Além disso, nas granjas as aves recebem uma grande quantidade de hormônios artificiais para acelerar o crescimento e fazer com que os pintos cheguem à velhice em poucas semanas. Com o bezerro fazem a mesma coisa, normalmente ele chegaria à idade adulta em cinco anos, mas hoje, o bezerro chega à idade adulta em poucos meses.

Os cidadãos deveriam saber sobre os riscos que cada um destes aditivos químicos traz à saúde e tentar diminuir a sua ingestão.


O que a senhora acha dos produtos industrializados "prontos para o consumo"?

Produtos industrializados são práticos porque já vêm prontos ou semiprontos, com prazo de validade extenso, facilitando o armazenamento. Tudo seria perfeito se não fossem alimentos. Em nome dessa praticidade e durabilidade os fabricantes utilizam milhares de aditivos químicos, que afetam a saúde de quem os consome com freqüência. Alguns dos aditivos sintéticos mais utilizados em quase todos os industrializados são os corantes artificiais, gordura hidrogenada, nitritos e nitratos, açúcar refinado e adoçantes artificiais, glutamato monosódico, conservantes, aromatizantes e até o sal refinado. Os cidadãos deveriam saber sobre os riscos que cada um destes aditivos traz à saúde e tentar diminuir a sua ingestão. O uso desses produtos deve ser discriminado nas embalagens, porém, seus nomes vêm sempre codificados, talvez para que o consumidor não se de conta do que está comprando.


Há outros problemas com os produtos industrializados. Eles passam por alguns processos para não apodrecerem ou para serem armazenados por longo tempo. Um exemplo seria o leite UHT, ou o "leite de caixinha". Quais são estes problemas?

Estes produtos são esterilizados, pasteurizados, desinfestados e tem a germinação inibida. Tudo estaria muito bom se não fossem também destruídos os tecidos vivos, se o valor nutricional dos alimentos não fosse afetado e se não trouxesse conseqüências graves para a nossa saúde. Considerando que o principal objetivo da alimentação é nutrir o organismo, torna-se altamente questionável o uso de um processo de conservação que destrói tantos nutrientes essenciais ao corpo humano. A irradiação é uma forma de impedir que os alimentos sejam contaminados por bactérias. As caixas com alimentos entram por trilhos e passam pela fonte de cobalto matando os microorganismos que estão presentes nos produtos. É bom saber que os níveis de radiação envolvidos compreendem uma faixa entre cinco mil e quatro milhões de "rádios" (uma medida padrão para mensurar a radiação absorvida). Para se ter uma idéia dessa radiação, os aparelhos de raios X emitem menos que um rádio por sessão.


Qual a sua opinião sobre os alimentos geneticamente modificados – os transgênicos?

Muito se especula sobre as sementes geneticamente modificadas. Vistas como salvadoras por uns e vilãs por outros, cabe aqui uma explicação: a engenharia genética pode ser vista pelo lado positivo quando usada para melhoria da qualidade de algumas espécies, criação de tipos diferenciados de frutas, etc. Pelo lado negativo, batemos de frente com interesses financeiros, como a criação de sementes que vão gerar plantas mais resistentes aos agrotóxicos e às pragas. O que isso significa? Menor utilização de agrotóxicos? Parece que temos aqui uma reedição da Revolução Verde quando se iniciou o uso dos agratóxicos, não é? Em primeiro lugar trata-se de sementes híbridas, que não se reproduzem, afetando uma das coisas mais importantes da natureza - a generosidade. Depois por serem monopólio de empresas fabricantes de agrotóxicos, longe de utilizá-los em menor escala, a intenção é gerar plantas mais resistentes a eles, permitindo menor cuidado em sua aplicação e a utilização em doses maiores sem prejuízos para a lavoura. Em resumo, a planta não morre se uma dose maior de veneno for colocada. Não se pode prever ainda através dos estudos feitos até hoje, quais são as conseqüências para a saúde e o meio ambiente. Este sim é o real problema.

A aplicação de agroquímicos no solo altera seu ciclo natural e causa desequilíbrio biológico em função da eliminação de microorganismos fundamentais ao desenvolvimento das plantas.


Sobre os agrotóxicos e os fertilizantes químicos. Quais as conseqüências ambientais da sua utilização?

A aplicação de agroquímicos no solo altera seu ciclo natural e causa desequilíbrio biológico em função da eliminação de microorganismos fundamentais ao desenvolvimento das plantas. Estas plantas, com suas características modificadas, tornam-se dependentes dos produtos químicos. Há também o comprometimento da saúde do lavrador que manipula estes produtos, e da saúde do consumidor que come alimentos com resíduos químicos. Além disso, a utilização destes produtos gera a contaminação de mananciais, leitos de rios e lençóis freáticos. Ocorre assim uma ampla degradação ambiental que afeta toda a cadeia alimentar. Esta degradação terá conseqüências em longo prazo e seus efeitos podem ser irreversíveis.

Por esse histórico que dizemos que o agrotóxico contém em si o espírito da morte. Sua origem é a arma química, foi criado para tirar vida e não gerar.


Quais os problemas decorrentes da ingestão de agroquímicos?

Como nossa pele absorve o que passamos nela, a casca dos alimentos também possui poros, e por ele os agrotóxicos são absorvidos também. Por isso o morango é o campeão no quesito agrotóxico, pois tem a casca cheia de poros. Outros campeões de pulverizações são o pêssego, maçã, uva, figo, goiaba, morango, mamão papaia, pêra, melão, nectarina e tomate. Os resíduos de agrotóxicos podem provocar irritação nas mucosas intestinais, diarréia, atrofia nos membros inferiores e até paralisia temporária, distúrbios neurológicos e arritmia cardíaca. Por todo esse histórico que dizemos que o agrotóxico contém em si o espírito da morte. Sua origem é a arma química, foi criado para tirar vida e não gerar.

Ao ingerir um alimento mais puro, com a energia íntegra, promovemos a limpeza e a eliminação das toxinas, fortalecemos a função vital física, mental e emocional.


Você comenta que podemos decidir entre a saúde e a doença. Como?

Para tudo o que pretendermos na vida, teremos que tomar uma posição, inclusive para ter uma boa saúde. Ao ingerir um alimento mais puro, com a energia íntegra, promovemos a limpeza e a eliminação das toxinas, fortalecemos a função vital física, mental e emocional. Reequilibrando o organismo, as funções se normalizam, acontece gradativamente uma redução nos processos estressantes e depressivos, o cérebro raciocina melhor, a capacidade perceptiva aguça, apuram-se sentidos e intuições, portanto, aproveitam-se melhor as oportunidades que a vida oferece. Abrem-se portas para um caminho de saúde perfeita, isento dos conflitos e aberto à prosperidade. Para isso, entender os diferentes tipos de agricultura é um bom começo. A agricultura pura privilegia a força intrínseca do solo, fortalecendo sua energia natural. Para isso basta torná-lo limpo e puro: solo, água e sol. Tudo regado a amor e respeito à Mão Terra, seguindo os conceitos e princípios da Agricultura Pura. Os produtos provenientes da agricultura pura são muito difíceis de encontrar, pois são quase que totalmente exportados. Quanto à agricultura orgânica, existem dois tipos: a que utiliza adubos foliares – considerada biologicamente correta –, e a que utiliza esterco animal como adubo. Esta segunda possibilidade não utiliza nada de química, mas completa a nutrição do solo com excrementos animais não compostados, que se não tratados corretamente podem ser prejudiciais à saúde por conter amônia. Outra forma de agricultura é a hiônica, que não se vale do solo. As plantas são cultivadas na água, contrariando as leis naturais. Elas precisam de nutrientes químicos para suprir suas necessidades e os alimentos são quase sem fibras e com folhas transparentes. A vantagem é que como são criadas em estufas, não utilizam inseticidas. E então, a agricultura convencional, que utiliza agrotóxicos cada vez mais fortes, visando lucros e desconsiderando os efeitos para a saúde e para o meio ambiente. A opção mais facilmente encontrada e mais saudável é a agricultura orgânica certificada.

O que significa qualidade de vida na alimentação?

O alimento hoje em dia é encarado apenas como algo para matar a fome. Para se ter qualidade de vida, devemos rever os nossos conceitos. Quantas vezes ouço coisas como: "Produtos orgânicos são muito caros!" (e olhamos para a pessoa vestida com uma roupa de grife ou um sapato caríssimo); "Dá muito trabalho ficar lendo rótulos no supermercado, e ainda por cima tenho que colocar óculos!" (e quando chega na sessão de perfumaria, perdemos horas lendo rótulos de cremes, xampu, tinturas, etc); "No meu supermercado não tem esses produtos!" ( mas se faltar a cerveja favorita ou o sabão em pó que estou acostumada chamo o gerente e reclamo em alto e bom som.). O mundo está sendo movido pelas aparências e perdemos a real noção do que é importante e vital. O pior é que tudo isso leva a uma enorme falta de amor. Será que é no alimento que devemos economizar? Será que tirar alguns minutos e pesquisar é assim tão difícil mesmo? Será que não devo rever minhas prioridades?

Mas os orgânicos são realmente mais caros que os convencionais...

Como já se sabe, o alimento orgânico é mais nutritivo que o convencional. Portanto contém mais substância, portanto sacia mais, portanto se consome em menor quantidade, portanto o preço não é tão mais caro assim. Mas o mais importante é que por trás de um alimento orgânico temos um projeto de responsabilidade social fantástico e que, para participar, apenas precisamos comer com mais sabor, com mais qualidade, com mais saúde. Existe maneira melhor?


Quais os benefícios da alimentação orgânica?

Foi publicado no Journal of Applied Nutrition, em 1993, uma pesquisa realizada durante dois anos em Chicago, Estados Unidos, na qual ficou comprovada a grande diferença entre o alimento orgânico e o alimento produzido de forma convencional. Foram analisadas várias amostras de maçã, batata, pêra, trigo e milho doce, e comprovou-se que os alimentos orgânicos possuem uma diferença acentuada no conteúdo de alguns minerais essenciais. O que prova que, mesmo utilizando adubos químicos, não se garante um maior nível de nutrientes aos produtos da agricultura convencional. Este fato mostra a superioridade de um sistema orgânico. A liberdade de crescimento e amadurecimento da planta garante a nutrição de forma natural de acordo com as leis da natureza. Além do mais, escolhendo produtos orgânicos certificados temos a certeza de que o alimento não tem agrotóxicos, não utiliza sementes transgênicas e não passou por processos de irradiação. O selo de certificação de um alimento orgânico fornece ao consumidor a certeza de estar levando para casa um produto isento de contaminação química. Garante também que esse produto é o resultado de uma agricultura capaz de assegurar a qualidade do ambiente natural, qualidade nutricional e biológica de alimentos e qualidade de vida para quem vive no campo e nas cidades.

"O alimento é mágico, misterioso, instiga a percepção, desenvolve criatividade, enche os olhos, dá água na boca, provoca a mente com aromas irresistíveis."


A senhora diz que alimento é vida, que criar uma refeição é mudar a atitude de relacionar-se com a energia que preenche o universo. Como entender melhor esta relação?

A arte da culinária, quando exercida com sentimento, é feita de forma criteriosa. Utiliza somente produtos de qualidade, isentos de substâncias químicas que interferem no sabor e no valor nutritivo do alimento, tem esmero no preparo e apresentação bonita, seu produto é uma verdadeira oferenda de agradecimento a Deus e à Natureza. Tem poder de mudar destinos. O alimento é mágico, misterioso, instiga a percepção, desenvolve criatividade, enche os olhos, dá água na boca, provoca a mente com aromas irresistíveis. Misturado aos desejos, no aconchego do fogo ardem sentimentos, ingredientes certos para uma refeição que conquista, transforma e permanece no pensamento, mesmo que seja algo simples e trivial. É na cozinha que a Mãe Natureza encerra seu ciclo energético, unindo e harmonizando os três elementos, terra, água e fogo, despertando os cinco sentidos e fortalecendo os elos de quem compartilha de uma mesma vida.

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