27 de set. de 2008

Agora comida tem vida própria

O life food prega que os alimentos crus e, principalmente, os brotos têm mais energia vital. E são capazes de transmiti-la a quem os come

A comida natural vem ganhando tantos adeptos que já não é possível falar de um movimento único. A mais nova tendência a chegar ao Brasil é a comida viva. Não, não se trata de comer ostras à beira da praia. Isso já faz sucesso no país há alguns anos, mas não atende aos requisitos de comida vegetariana. A comida viva naturalista é uma variação do vegetarianismo. Usa principalmente os brotos e as sementes germinadas. Inclui frutas, verduras e legumes orgânicos e extremamente frescos. Parece o ápice da simplicidade. Mas, no mundo moderno, aderir a essa culinária não é nada simples. Para comer cru, ninguém pode ser apressado. Alguns pratos levam mais de 30 horas para ser preparados. Nada pode ser cozido. Alguns alimentos podem e devem ser aquecidos ou desidratados, mas nunca acima de 40 graus Celsius. Esses são os processos que mais demoram.

A comida viva, ou life food, como é chamada em Nova York, praticamente não difere da dieta crudivorista, ou raw food, como ficou famosa na Califórnia. Talvez a life food dê um pouquinho mais de ênfase às sementes germinadas. Hoje, nos Estados Unidos, existem vários restaurantes que levam um desses dois rótulos. No Brasil, o primeiro a se intitular de “comida viva” foi o Universo Orgânico. De um ano para cá, ele virou mania entre famosos e descolados do Rio de Janeiro.

A chef do restaurante, Tiana Rodrigues, que tem a melhor empadinha viva da cidade (damos a receita em nosso site), começou a se envolver com a comida viva, ou crudivorismo, com o grupo da professora Ana Branco, que se reúne na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro para trocar informações e divulgar a idéia. Ela é uma das seguidoras de David Jubb, o pai da life food. A dieta adotada pelos adeptos da comida viva se baseia nas teorias do neurofisiologista australiano, dono do Jubb’s Longevity, um instituto/restaurante/mercadinho em Nova York.

Segundo Jubb, comer comida crua é mais saudável porque, quando o alimento é cozido acima de 40 graus, ele perde suas enzimas. Isso faria com que nosso corpo fosse obrigado a gastar nosso precioso estoque de enzimas, essenciais para nos manter vivos. Mais que isso, a germinação liberaria uma série de enzimas que tornariam a digestão ainda mais fácil. O médico diz também ter constatado que os alimentos industrializados são responsáveis por uma maior acidez do sangue e afirma que, quanto mais alcalino, mais saudável será nosso organismo.

Quando arrancado do solo, separado de sua raiz, um vegetal morre. Mas suas sementes guardam vida em estado latente. Ela se manifesta quando há a germinação. “O broto ainda está vivo quando a gente o come”, diz Tiana. “Por isso, tem tanta energia vital. Mas os vegetais recém-colhidos também têm bastante energia.”

Saúde à parte, o restaurante de Tiana tem feito sucesso pelo paladar de seus pratos. Ricos em ingredientes e sabores, eles quase sempre levam algum tipo de broto. Além dos pratos, o Universo Orgânico é uma espécie de empório. Lá, Tiana não dá conta de vender biscoitos crus, sucos com germens e clorofila, pão essênio e as famosas empadinhas vivas, feitas de uma massa de macadâmia crua e desidratada.

Um dos empecilhos para as pessoas se decidirem a fazer uma refeição inteira de comida crua é a idéia de que ela será obrigatoriamente fria. “Há uma série de pratos quentes”, diz Tiana. “Sirvo-os a uns 38 graus.” Muitos vegetais precisam ser desidratados para tornar-se comestíveis, como é o caso da berinjela e dos brócolis. Outros, como o tomate, ficam gostosos quando secos. Mas não é tão fácil fazer vegetais desidratados. Em seu restaurante, Tiana tem um desidratador trazido dos Estados Unidos. Uma peça que não se encontra por aqui.

Para quem não tem o desidratador, ela sugere que se use uma grelha sobre uma panela de barro vazia aquecida em uma espiriteira elétrica (daquelas de camping). “É preciso também ter um termômetro”, diz. “Quando a temperatura da panela atingir os 38 graus, você desliga a boca. O barro conserva o calor por muito tempo. Quem mora no Nordeste pode desidratar os alimentos ao sol.”

Esta última seria a opção mais condizente com a filosofia da comida viva. s O processo de desidratação pode levar horas ou mesmo dias. Os desidratadores elétricos consomem muita energia. O que não bate com a imagem pregada por Jubb de uma alimentação boa para a pessoa e para o planeta. Em tese, quando consumimos vegetais crus, todas as sobras podem ser aproveitadas para virar adubo. Não há lixo. “Os desidratadores são uma contradição mesmo”, diz Tiana. “No restaurante, tento evitar desperdício racionalizando o uso. Procuro reunir alimentos que tenham o mesmo tempo de desidratação e só ligar o aparelho quando estiver com a capacidade máxima de acomodar alimentos preenchida. Mas os grupos mais puristas de comida viva nunca usam o aparelho elétrico.”

Além dos desidratadores, podem-se improvisar germinadores domésticos (leia o quadro à pág. 81). Cênia Salles, dona do restaurante e mercearia Empório Siriuba, em São Paulo, conta que no fim dos anos 70 viajou à Califórnia e, lá, já ouviu falar da importância das sementes germinadas. Trouxe até algumas na bagagem para servir em seu restaurante, na época o Cheiro Verde. Mas logo elas acabaram e Cênia teve de germinar as próprias sementes. “Criei uma caixa de madeira com uma tela de metal que me permitia deixar de molho e depois escorrer.” Hoje, seu restaurante tem alguns sucos, pães e saladas com grãos germinados.

De 2004 a 2006, funcionou em São Paulo o restaurante Deloonix, que servia raw food, além de peixes e pratos vegetarianos. Mas os paulistanos não aderiram à novidade como os cariocas. “Era um restaurante gourmet, caro”, diz Rafael Rosa, que estudou raw food na Califórnia e elaborou o primeiro cardápio do Deloonix. “Ele vinha na linha de restaurantes americanos, como o Charlie Trotter ou o Roxanne, que apostavam na curiosidade gastronômica do público para experimentar a novidade.”

Rosa não desistiu da linha. Ainda pratica a dieta crudivorista em casa. E pretende vender alguns doces, biscoitos e tortas crus na padaria Pão, que deve inaugurar no dia 8 de agosto, em São Paulo. De acordo com ele, mesmo nos Estados Unidos a aposta puramente na moda não deu muito certo. “O Charlie Trotter faz outras coisas além de raw food, e o Roxanne fechou. O que pegou mesmo foram as centenas de pequenos cafés que atendem um público interessado em levar uma vida mais simples.”

Receitas:

.Almôndegas de quinoa germinada
Embora crua, a comida viva não é simples de fazer. Mas se quiser tentar...

Almôndegas:1 xícara de aipo, 1 xícara de quinoa, 1 xícara de nozes, 1 xícara de linhaça dourada em pó, 1/2 xícara de azeite, 1/2 cebola, 1/2 xícara de passas, 1 colher (sopa) de sal do Himalaia, 1/2 xícara mineral

Bater tudo no processador e adicionar a linhaça em pó no final. Formar bolinhas e colocar para desidratar em uma grelha sobre uma panela de barro a 38 graus

Molho de cenoura:1 pedacinho de gengibre, 1 cenoura grande, 1/4 xícara de castanha-de-caju crua (oito horas de molho), 1 xícara de linhaça dourada em pó

Molho de tomate: 1 xícara de tomate seco (duas horas de molho), 6 tâmaras, 2 xícaras de tomate, 1 pitada de sal

Salada de rúcula com linhaça germinada, tâmaras e peras:
Lavar e higienizar um punhado de rúcula. Fazer um molho com tâmaras, limão e azeite. Acrescentar linhaça germinada. Enfeitar com tiras de pêra

Montagem:
Colocar o molho de cenoura no prato, depois a almôndega em cima e em seguida o molho de tomate. Ao lado colocar a salada de rúcula com linhaça. Apreciar o colorido do prato


.Pão dos Essênios:
2 xicaras de trigo germinado ( 8 horas de molho e 8 horas germinando )
1 cl de sopa de azeite orgânico prensado a frio
1 pitada de sal do himalaia
ervas frescas
½ xícara de água mineral
Bater tudo no liquidificador e abrir como se fosse pizza fina e depois secar no sol ou no desidratador.

.Empada de Macadâmia:
2 xicaras de nozes macadamia ( 8 horas de molho )
1 cl de suco de limão
1 cl de levedo
pitada de sal do Himalaia
2 cl de água
Bater no liquidificador e abrir tipo pizza , colocar no desidratador por 7 horas depois colocar nas forminhas e voltar pro desidratador por mais 8 horas,
Recheio de legumes picados com tomate cereja e shitake cogumelo.


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Fonte: Revista Época Online - Nov/2007

Comer & Beber Conscientemente

Comemos muito inconscientemente, automaticamente, como um robô. Se o sabor não for vivido, você estará apenas empanturrando-se. Vá devagar e esteja cônscio do sabor. Não vá apenas engolindo as coisas. Deguste vagarosamente e torne-se o sabor. Quando você sentir a doçura, torne-se a doçura. E então, isso pode ser sentido por todo o corpo - não somente pela boca, não somente pela língua, isso pode ser sentido por todo o corpo espalhando-se em ondulações.

O que quer que você esteja comendo, sinta o sabor e torne-se esse sabor. Sem nenhum sabor, seus sentidos serão amortecidos. Eles ficarão cada vez mais menos sensíveis. E com menos sensibilidade, você não será capaz de sentir seu corpo, você não será capaz de sentir seus sentimentos. Dessa forma você apenas permanecerá centrado em sua cabeça.

Quando estiver bebendo água, sinta a frescura. Feche seus olhos, beba-a bem devagar, saborei-a. Sinta a frescura e sinta que você se tornou a frescura, porque a frescura está sendo transferida da água para você, ela está se tornando uma parte de seu corpo. Sua boca está tocando, sua língua está tocando e a frescura é transferida. Permita que isso aconteça para todo o seu corpo. Permita suas ondulações se espalharem e você irá sentir uma frescura por todo seu corpo. Dessa maneira sua sensibilidade pode crescer e você pode tornar-se mais vivo e mais preenchido.

Osho
Excerpted from The Book of Secrets

23 de set. de 2008

SucoTerapia

por Denise Scótolo

“Faz do teu alimento, o teu medicamento.”
Hipócrates

Com o corre-corre da vida moderna, algumas pessoas têm dificuldade de seguir uma dieta balanceada, alimentando-se principalmente de proteínas animais, produtos industrializados, doces e gorduras. Cheeseburgers, batatas fritas, bolachas, pizzas, maionese, sorvetes e refrigerantes são comuns no cardápio dos que têm uma vida atribulada e repleta de compromissos. O café da manhã apressado, composto por pão francês com margarina e café com leite, tenta ser compensado com algo “saudável”, como um frango grelhado (repleto de hormônios) e uma saladinha (temperada com molhos ricos em gorduras ou conservantes).

Para que o organismo consiga digerir o que normalmente é ingerido, o corpo precisa de uma dose extra de vitaminas e sais minerais. O problema é que esses nutrientes não costumam ser encontrados em quantidades suficientes em alimentos como os apresentados acima. Para termos uma vida mais saudável, com mais energia e disposição, precisamos ingerir alimentos que contenham os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo, como os sais minerais, vitaminas e enzimas, que são facilmente encontrados em vegetais crus e frescos.

Dentre muitos dos nutrientes encontrados nos vegetais, podemos destacar o caroteno (substância anti-cancerígena encontrada em vegetais vermelhos e alaranjados), a vitamina C e os bioflavonóides (que reforçam o sistema imunológico e são encontrados em frutas cítricas) e o ácido fólico (necessário para a manutenção dos glóbulos vermelhos do sangue e do sistema nervoso e é encontrado em hortaliças com folhas verde-escuro).

Muitos dos profissionais de saúde e nutrição, assim como os órgãos públicos de saúde, recomendam a ingestão de 4 a 7 porções diárias de vegetais. Outros especialistas afirmam que a dieta diária deveria ser composta por 50 a 75% de vegetais crus. Mas quase ninguém consegue ingerir essa quantidade de frutas e hortaliças cruas diariamente. Imagine-se comendo 5 cenouras, 3 maçãs, 4 talos de aipo, ¼ de brócolis, 2 laranjas, 3 folhas de couve e ½ melão (e tudo cru). Muitas pessoas provavelmente desistiriam na segunda cenoura. A solução para a ingestão dos nutrientes necessários para o nosso metabolismo pode ser encontrada nos sucos. Toda essa quantidade de alimentos propostos poderia ser ingerida em 2 copos de suco!

Na sucoterapia, as fibras dos vegetais crus são separadas de seu sumo. Esse processo aumenta a nossa capacidade de ingestão do suco, além de facilitar e acelerar a absorção dos demais nutrientes pelo organismo e promover rapidamente a assimilação das vitaminas, enzimas e sais minerais.

A sucoterapia combina alimentos que possuem os nutrientes necessários para a prevenção e o reestabelecimento da saúde, da energia e da vitalidade. Cada suco possui características adequadas para cada caso e sua utilização traz benefícios a curto, médio e longo prazos.

O suco é uma maneira fácil, rápida, conveniente e deliciosa (sim, as combinações são deliciosas, até para os que torcem o nariz para os vegetais) de introduzir alimentos nutritivos no dia-a-dia de todas as pessoas.

“A sua condição física de amanhã, depende do que você faz com o seu corpo hoje.”
C. Calbon

Dicas

• Procure utilizar uma centrífuga para fazer seus sucos. Se não tiver uma, faça-os no liquidificador, coando o suco para separá-lo das fibras. Apesar de extremamente importantes para a alimentação e nutrição do corpo, as fibras tornam mais lenta a absorção dos demais nutrientes e aumentam a sensação de saciedade, podendo diminuir a quantidade de ingestão de sucos.
• As enzimas, encontradas apenas em vegetais crus são necessárias para a melhor assimilação dos demais nutrientes, mas são destruídas ao serem cozidas ou fervidas, portanto utilize apenas alimentos crus para preparar os seus sucos.
• Utilize vegetais frescos e em bom estado. Dê preferência aos alimentos orgânicos, pois não contêm agrotóxicos. Se não for possível utilizar vegetais orgânicos, você deve descascá-los, mas lembre-se de que perderá importantes nutrientes encontrados nas cascas de diversos alimentos. Antes do preparo, lave bem os produtos e retire as partes danificadas.
• Antes de preparar os sucos, remova os caroços das frutas, como os do pêssego, ameixa, abacate etc. Com exceção da maçã, você pode utilizar as sementes das frutas para o preparo dos sucos.
• Algumas partes das frutas e das hortaliças possuem substâncias tóxicas se ingeridas em grandes quantidades, como a casca da laranja, as sementes das maçãs, as folhas das cenouras etc. Portanto, remova-as antes de preparar seus sucos.
• Não utilize açúcares, adoçantes, sal, temperos ou qualquer outra substância que não vegetais frescos e crus para o preparo de seus sucos.
• Beba sucos de hortaliças em uma quantidade igual ou maior à de sucos de frutas, evitando o alto consumo dos açúcares presentes nas frutas.
• Caso ache necessário, dilua os sucos em água, nunca em outros líquidos. Os sucos compostos por grandes quantidades de clorofila (folhas verdes) costumam ser ácidos, sendo recomendada a diluição em água, a fim de evitar uma possível irritação na garganta.
• Beba o suco imediatamente após o seu preparo. Após alguns minutos do preparo, o suco vai perdendo o seu valor nutricional.
• Procure sempre um terapeuta, médico ou nutricionista para lhe orientar.

Sugestões de sucos

Contra indigestão:
Sugestão 1: 1 mamão duro e sem casca + 1 fatia fina de raiz de gengibre + 1 pêra
Sugestão 2: 1 kiwi firme e sem casca + 1 maçã verde e sem sementes + 1 cacho pequeno de uvas
Sugestão 3: ¼ de repolho + 2 talos de aipo + 1 talo de brócolis

Contra constipação/prisão de ventre ;
Sugestão 1: 2 maçãs sem sementes + 1 pêra
Sugestão 2: 1 fatia fina de raiz de gengibre + 1 beterraba + ½ maçã sem sementes + 4 cenouras sem folhas
Sugestão 3: 1 punhado de salsa + 4 cenouras sem folhas + 1 dente de alho + 2 talos de aipo

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Fonte: http://somostodosum.ig.com.br


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16 de set. de 2008

Rico em antioxidante, o óleo de coco ajuda a equilibrar o organismo


15/09/2008 - O Globo Online

Rio - Velho conhecido dos adeptos da alimentação viva e das massagens orientais, o óleo de coco está ganhando cada vez mais espaço nas prateleiras das lojas de produtos naturais. Vendido como suplemento alimentar o preço do produto é salgado: cerca de R$30,00 por cada meio litro. Mas especialistas garantem que por ser rico em vitamina E e ácidos graxos,a gordura do bem, o óleo é aliado de quem tem colesterol alto, vive gripado ou quer emagrecer.

Leia o artigo por completo, clique aqui.




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10 de set. de 2008

Os Benefícios da Comida Viva

Globo Repórter - 5/09/2008 - Reportagem: Ismar Madeira (Campos do Jordão, São Paulo)



Prato do dia: verduras, legumes, frutas e sementes germinadas.

É a comida viva!


"Eu tomava remédio para pressão e não tomo mais. Emagreci dez quilos com uma alimentação natural que qualquer um pode fazer em casa", conta o aposentado Orlando Asse dos Santos.

Não é milagre. É o resultado da orientação médica, que seu Orlando recebeu em um posto de saúde de Campos do Jordão, em São Paulo. Tudo de graça, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Foi com o médico Alberto Gonzalez, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que ele e muitos outros pacientes começaram a aprender que comida é remédio.

"Há influências bastante claras na obesidade, na constipação, na inflamação crônica, na dislipidemia – que é o desequilíbrio do colesterol –, nas doenças gastrointestinais e respiratórias e no diabetes", aponta Alberto Gonzalez.

Mas, afinal, o que é comida viva? A receita é simples: nada pode ser cozido, frito ou assado. Os alimentos são de origem vegetal. E para começar bem o dia, um suco poderoso.

Se uma pessoa que não tem uma doença diagnosticada nem se sente mal resolver experimentar esse alimento vivo, que resultados vai sentir?

"É muito importante que eu, me apresentando como médico, diga que alimento vivo é bom para quem está doente, mas o alimento vivo é uma alimentação para quem está sadio e quer se manter sadio", esclarece Alberto Gonzalez.

Decidi experimentar. Em dez dias, que resultados eu veria?

"Em dez dias, vai haver uma grande liberação de água do seu corpo. Muita água retida vai ser eliminada. Você também vai notar mudanças no âmbito da digestão e da disposição, principalmente após as refeições, Você vai se sentir muito bem disposto", adiantou Alberto Gonzalez.


Doutor Alberto troca o jaleco pelo avental. Hora de arregaçar as mangas e mostrar como se prepara o suco. "O grande equipamento é um liquidificador. Depois de tudo lavado, você começa a fazer o suco. Primeiro, picota o pepino. O pepino vai para perto da hélice, porque ele é um grande gerador de água. Aí vem a maçã. Vamos extrair a água do pepino, da maçã e das verduras orgânicas disponíveis com uma cenoura. E, finalmente, as sementes de girassol germinadas. Você pode usar só trigo, girassol, quinoa, gergelim, amêndoa. O ideal é a semente germinada”, ensina Alberto Gonzalez.

Este é o grande segredo da comida viva: grãos germinados. E se você já está se perguntando como vai fazer para conseguir essas sementes, não se preocupe.

"Em seguida, coamos. Fica uma massa consistente. É um coador de voal, que qualquer um pode ter. As pessoas com mais recursos usam uma centrífuga. É o café da manhã. É bom que seja um copo grande. Tem pão, manteiga, café e leite, só que em forma natural, viva e repleta de nutrientes vivos", ressalta Alberto Gonzalez.

Não é um suco ralinho, parece um leite ou algo muito cremoso. É em um casarão que doutor Alberto Gonzalez ensina receitas de alimentos vivos. Alguns pacientes são encaminhados para o local e aprendem que, além do suco, podem fazer pratos coloridos e saudáveis, como a caldeirada de frutos do mato.

Legumes ralados, picadinhos. Basta prensar os alimentos, uma técnica feita com as mãos, para controlar a temperatura da panela. Afinal, nos chamados alimentos vivos, legumes e verduras não podem ser cozidos.

"Se começar a queimar as mãos, tem que desligar. Se não queimar a mão, não vai queimar os alimentos também", explica uma funcionária do hospital.

“A carne é uma questão de herança cultural. Eu não vou chegar em uma aldeia de pescadores e dizer: parem de comer peixe. Comam o peixe, mas incluam na sua vida os alimentos que vêm da mãe terra. Porque eles vêm com a informação que você precisa", diz Alberto Gonzalez.

"Não posso dizer que sou vegetariano. Uma vez por mês eu não recuso um churrasquinho, mas também não sou escravo da alimentação. Como tudo que eu gosto, com uma certa regra", conta seu Orlando.

"Sempre digo que tudo que é verde faz bem para o que é vermelho. Quem está com doença cardiovascular volte-se para o reino vegetal. Alimente-se de tudo que é verde possível que a recuperação cardiovascular vem a reboque", aconselha Alberto Gonzalez.

Em casa, seu Orlando segue a orientação diariamente e faz questão de plantar suas verduras: "Eu aproveito qualquer cantinho. Uma jardineirinha da loja de R$ 1,99, um pouquinho de terra e brota um trigo bonito".

A grama de trigo usada no suco nasce de sementes comuns compradas no supermercado e simplesmente jogadas por seu Orlando na terra. "Todos os espaços, o quintal do vizinho, por exemplo, eu coloquei trigo há 15 dias e já está nascendo. Temos couve e outras hortaliças espalhadas no meio da vegetação. Uso de sete a oito qualidades para fazer o suco por dia", conta.

Será que é mesmo tão fácil assim? Nos dez dias em que testamos o suco também experimentamos a preparação dele, até em cozinhas de hotel. Se eu consegui, qualquer um consegue.

Mas, antes, é bom lembrar: estávamos no restaurante de um hotel na cidade turística de Campos do Jordão, e as tentações estavam servidas. Eram 9h. Eu jantei no dia anterior, às 20h30. Ou seja, havia mais de 12 horas. O estômago já estava reclamando. A mesa do café da manhã era farta. Em vez de optar por tudo o que eu normalmente comeria, fiquei só com as frutas e o suco verde.

Logo pegamos a estrada. Acompanhamos doutor Alberto Gonzalez até a casa de um paciente. A viola dá o tom. O lavrador Benedito Vicente da Rosa leva uma vida simples. Mora com a mulher no alto de uma colina, em um lugar onde não tem luz elétrica. Mas sobram ar puro e produtos tirados da terra sem agrotóxicos. Faltava saber como aproveitar todos os seus nutrientes. Foi o que seu Benedito aprendeu nas consultas pelo SUS. Visitas periódicas fazem parte do Programa de Saúde da Família.

Há um ano, o lavrador mal conseguia ir ao posto de saúde, por causa de uma trombose na perna esquerda, uma ferida enorme não cicatrizava.

"Estava muito machucado, era uma ferida só. Tinha um roxo que parecia uma lesão só. Tomei o suco e fechou tudinho, foi uma beleza. Eu já estava até desenganado", comemora o lavrador.

Doutor Alberto Gonzalez explica: "Os vasos da perna dele não chegavam até a intimidade do tecido, por conta do problema vascular. O suco promoveu o fenômeno denominado neovascularização, de crescer novos capilares onde não tinha".

Mas o médico alerta: "Se você está usando remédios e quer mudar para o suco, consulte um profissional médico. A pessoa que tem um problema grave de pressão arterial ou problema grave de perfusão sanguínea do próprio coração não pode parar de tomar o remédio. Eu trabalho usando remédios e o suco. Os remédios vão sendo tirados à medida que os resultados com o suco vão aparecendo. E isso depende da adesão do paciente".

Seu Benedito se empenhou de verdade para ver o resultado. Afinal, o que já seria difícil na cidade grande poderia até ser impossível para quem vive sem energia elétrica – sem um liquidificador.

"Tentei socar no pilão, mas espirrou muito. Tive que inventar outro modo. Daí, foi no ralador. Achei que foi importante", diz seu Benedito, que colhe os ingredientes, rala e espreme tudo com as mãos. "É um verdadeiro remédio. A perna sarou que é uma beleza! Não tem mais nada, está forte. Já estou imaginando até jogar bola. Eu gostava muito de jogar bola. Fazer isso todo dia é difícil, mas sem esforço ninguém consegue nada".

A germinação dos grãos é que dá força ao alimento, potencializa os nutrientes. É o que garante a mais antiga pesquisadora da comida viva no Brasil, a designer e professora Ana Branco, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). A primeira semente foi ela que plantou. Há 15 anos, Ana Branco reúne conhecimentos que ela passa adiante.

Preste atenção: é o passo-a-passo para você também aprender a germinar as sementes na sua casa.

"Colocamos a semente de girassol de molho na água. Vamos dormir e a semente vai acordar. São oito horas de molho na água. É o tempo de dormirmos e ela acordar. Na manhã do dia seguinte, jogamos a água fora e deixamos escorrendo em algum apoio por mais oito horas. Depois de oito horas de molho na água e oito horas no ar, é só darmos uma lavadinha antes de consumirmos. Podemos olhar o que aconteceu com a semente germinada. Dá para ver o narizinho que está nascendo. Nesse ponto, podemos consumir. Assim, comemos a energia vital contida nela. E ficamos forte que nem ela", diz Ana Branco.

Para ela, uma filosofia de vida que germinou e deu frutos. Muitos já aprenderam os segredos da alimentação viva em cursos e em uma feira na PUC-RJ.

"Nós começamos com o suco quando eu estava grávida da minha terceira filha. Meu marido faz o suco, fazemos para a família toda. Isso já acontece há três anos", conta a professora Rosana Cunha Pinto. "O grande barato é chamar as crianças para fazerem junto com você. Pede para uma pegar uma maçã, pede para outra segurar uma hortelã. E assim a gente vai cortando e preparando o alimento junto".

Eu bebi suco durante dez dias. E não foi difícil, mesmo fora de casa, dormindo em hotéis, comendo em restaurantes. Logo no primeiro dia, eu fiz exames de sangue que mostraram que a minha saúde vai muito bem. Taxas como colesterol e glicose, por exemplo, estão ótimas. E, por causa disso, eu resolvi não mudar mais nada na minha alimentação. No almoço e no jantar, continuei comendo o que estou acostumado e gosto: arroz, feijão, carne.

Mesmo assim, substituindo só café da manhã, o suco fez efeito. Perdi 2,1 quilos. Eu também senti outras mudanças que não podem ser medidas. A primeira: comecei a sentir menos fome nos últimos dias. E a segunda: mudança no apetite. Já não tenho tido mais tanta vontade de comidas pesadas. Pode ser resultado do suco.

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