30 de set de 2009

Açúcar: vilão da alimentação

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Considero o artigo abaixo um complemento importantissimo sobre um texto que postei anteriormente "Alimentacao viva e crua nos Estados Unidos", que logo no primeiro paragrafo fala sobre a obesidade, principalmente a norte-americana.

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Fonte: Revista Veja Online

No dia em que o primeiro europeu colocou uma pitada de açúcar na boca, o mundo começou a girar mais rápido. A data precisa desse acontecimento não foi registrada pela história, mas deu-se em algum momento da Idade Média. De lá para cá, na vertigem da descoberta do açúcar, a civilização ocidental passou a mudar num ritmo intenso. "O açúcar redesenhou o mapa demográfico, econômico, ambiental, político, cultural e moral do mundo", diz a historiadora canadense Elizabeth Abbott, autora de um livro sobre a civilização do açúcar, "Sugar, a bittersweet history" ("Açúcar, uma história agridoce").

 Movido pela sua energia calórica, o mundo segue girando rápido, tão rápido que estamos ágora na soleira de outra mudança vertiginosa: o açúcar começa a ser considerado um vilão da saúde humana, um veneno tão prejudicial que merece ser tratado com o mesmo rigor empregado contra - suprema decadência! - o tabaco. Está mais perto o dia em que um pacote de açúcar trará a inscrição: "O Ministério da Saúde adverte: este produto é prejudicial à saúde".

O açúcar em suas várias formas é o grande promotor da obesidade, mas seus níveis altos no sangue podem ser associados à quase todas moléstias degenerativas, do ataque cardíaco ao derrame cerebral e a diabetes. Existem suspeitas científicas sérias de que o açúcar pode até ser uma das causas de alguns tipos de câncer. Na lista, está o câncer de pâncreas, o mesmo que matou o ator Patrick Swayze aos 57 anos na semana passada. Em Harvard, pesquisadores acompanharam 89 000 mulheres e 50 000 homens e descobriram que os refrigerantes podem aumentar o risco de câncer de pâncreas em mulheres, só em mulheres. Antes que os homens se sintam premiados pela natureza, outro estudo, que examinou 1 800 doentes, sugere que dieta açucarada pode aumentar o risco de câncer do intestino grosso em homens, só em homens.

Mas, se o açúcar, como o tabaco, subir no patíbulo, o refrigerante se tornará o cigarro da vez. Nos Estados Unidos, já há um movimento, incipiente, mas sólido, integrado pelos cientistas mais reputados do país, contra o consumo de refrigerante, considerado umas das formas mais prejudiciais de ingestão de calorias de açúcar. Os estados de Nova York e do Maine já discutiram cortar o consumo de refrigerantes a golpes de imposto. Em Nova York, o governador David Paterson propôs uma alíquota de 18%, mas recuou depois de perceber a má vontade dos parlamentares e a força do lobby do açúcar cujo poder é lendário na política americana.

Os Estados Unidos são a barricada mais potente contra o açúcar do refrigerante, mas não são a única. Na Inglaterra e na França, a propaganda de refrigerantes está banida da televisão. No México, onde a obesidade cresce num ritmo assustador, é proibido vender refrigerante nas escolas de todo o país. Na Alemanha e na Bélgica, a proibição vale até para o comércio nas imediações das escolas. Na Irlanda, celebridades não podem fazer comerciais de refrigerantes dirigidos ao público infantil.

O açúcar e a obesidade que dele advém são um problema em todo o planeta, inclusive no Brasil. Examinando dados relativos a 2005, a Organização Mundial da Saúde estimou que 1,6 bilhão de seres humanos estão acima do peso ideal e 400 milhões estão obesos. É um colosso de gordura, uma fartura de matar de inveja nossos ancestrais da savana africana, eles que, coitados, se arrebentavam por uma mísera caloria. Já surgiu um neologismo para sublinhar a dimensão global da obesidade - é a "globesidade". Do alto de sua autoridade científica, o professor Walter Willett prevê: "Obesidade e diabetes serão o desafio de saúde pública do século XXI."

O açúcar integrou-se de tal modo na alma brasileira que inspira sinônimos para todas as gradações. Na dose certa, é meiguice, suavidade, brandura. Com um grão de ousadia, é dengo e sedução. No exagero, é enjoo, tédio. O açúcar, sendo doce e amargo, é uma bela metáfora do brasileiro, que funde em si mesmo, com desembaraço intrigante, o homem cordial e o homem violento. Que o açúcar tenha o destino que tiver que ter para que a humanidade seja saudável e feliz. Se um dia desaparecer da mesa, os brasileiros pelo menos terão o consolo de lembrar dele na doce, sensual e úmida definição do poeta Ferreira Gullar:

"Afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca."
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3 comentários:

  1. Excelente matéria essa sobre o açúcar. Espero que surta efeito sobre os gordinhos que necessitam de emagrecer. Li o livro, LUGAR DE MÉDICO É NA COZINHA, coloquei em prática os ensinamentos do Alberto e perdi 22 kilos em 8 meses, hoje peso 74 quilinhos de saúde.

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  2. Olá Sebastião!

    Obrigada pelo comentário e sobre sua breve jornada dentro dos ensinamentos do Dr. Alberto Gonzalez.

    Um brinde a vida!!!

    :)

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  3. Anônimo16:35

    Parei de ler a matéria quando comparou o açucar ao tabaco. Essa é uma comparação irresponsável. Se fosse assim, nesta sociedade que vivemos, que ora, você até pode classificar como dependente do açucar, tanto quanto do feijão ou do café para o brasileiro, muitos sequer chegariam aos 70 anos e não é bem assim. Outra coisa errada que eu vejo é associar o açucar à obesidade. Isso é generalizar. Nem todo obeso é dependente do açucar ou consome quilos de açúcar por semana. Portanto considero infeliz, no mínimo, a associação da imagens de obesos mórbidos ao açucar. Tem muito magrinho por aí que se amarra dar uma cheirada no açucar né não?

    Se a gente for viver com paranóia com tudo que se consome, melhor não consumir nada e viver de luz rezando para que ocorra uma fotosíntese em suas veias. Respeito quem não goste do açucar ou de qualquer outra coisa, afinal, todo mundo tem direito de consumir aquilo que lhe agrada ou que lhe faz bem, mas tentar embutir o medo de consumir o açucar comparando-o ao tabaco? A gota.

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